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TRATAMENTO
Problemas de infertilidade podem atingir 15% dos casais

por MONA LISA DOURADO

Constituir uma família e ter filhos é o desejo da maioria dos casais que resolve viver junto. Ao final de um ano de relacionamento sexual ativo, sem utilização de nenhum método contraceptivo, 85% deles conseguirão realizar o sonho. Uma parcela de 15%, no entanto, descobre que não pode engravidar, geralmente, por apresentar problemas de infertilidade.

Estudos recentes mostram que um em cada seis casais não é capaz de formar família sem realizar algum tratamento contra infertilidade. Na balança das responsabilidades, os homens, isoladamente, assumem 40% dos casos, sendo que outros 20% decorrem de dificuldades conjuntas dos parceiros.

De acordo com o urologista Roberto Lucena, a infertilidade masculina tem como características alterações no número, forma ou motilidade (movimento) dos espermatozóides. “Para que ocorra uma gravidez espontânea, o normal é que haja uma concentração de 20 milhões de espermatozóides por mililitro de sêmen e motilidade superior a 70%”, explica o especialista.

Das causas conhecidas e tratáveis da infertilidade masculina, a mais comum é a varicocele – presença de varizes nas veias dos testículos – que acomete cerca de 40% dos homens inférteis. Outros problemas, contudo, também levam à infertilidade, a exemplo dos cistos prostáticos, da deficiência hormonal ou das causas virais, das quais a parotidite ou caxumba é a mais freqüente. Tal doença pode gerar um processo infeccioso nos testículos, que futuramente irá se refletir numa produção inadeqüada de espermatozóides.

CAUSAS – Traumas nos testículos podem ainda provocar a formação de anticorpos antiespermatozóides, que bloqueiam a passagem do espermatozóide, em virtude das inflamações que provoca. Menos comuns, mas possíveis de ocorrer são também os problemas congênitos, como a ausência do ducto deferente, responsável pelo transporte do espermatozóide até o canal da uretra.

Outra causa secundária de infertilidade é a vasectomia – cirurgia de esterilização masculina baseada no corte do ducto deferente – que, atualmente, graças ao advento da microcirurgia, já pode ser revertida.

Segundo Lucena, cada uma dessas causas vai exigir um tratamento específico. No caso da varicocele, o procedimento consiste numa pequena cirurgia nas veias dos testículos. Já os cistos podem ser tratados por intermédio de uma endoscopia urológica, com a introdução de um aparelho pelo canal da urina, capaz de desobstruí-los.

As chances de sucesso do tratamento serão maiores, quanto menor for o tempo de infertilidade. Por isso, o especialista recomenda que após um ano de relações sexuais sem proteção o casal se submeta a uma avaliação clínica feita em conjunto por um urologista e um ginecologista para que haja um consenso em torno do diagnóstico e condutas a serem adotadas. O acompanhamento psicólogo também é recomendado.

“Do sexto mês em diante depois do início do tratamento, já se começa a ter um perfil definitivo quanto aos resultados alcançados e às reais possibilidades de gravidez espontânea”, diz Lucena, acrescentando que, se após esse período a concepção não ocorrer, resta uma última esperança, centrada nos métodos de reprodução assistida.

Dependendo da quantidade de espermatozóides disponível e da variação do casal, pode-se optar por uma inseminação intra-uterina, na qual, através de um catéter, são introduzidos espermatozóides selecionados no útero; por uma fertilização in vitro, antigo bebê de proveta, e pelo ICSI, a injeção intracitoplasmática do esperma, que consiste na utilização de um único espermatozóide para cada óvulo retirado da mulher. Com esta técnica, considerada a mais sofisticada, havendo a fecundação, cerca de quatro embriões são recolocados no útero por meio de uma sonda.

“Desde que o homem tenha uma quantidade mínima de espermatozóides, é possível que ele engravide uma mulher”, afirma Lucena, que recentemente inaugurou o primeiro Banco de Sêmen do Recife, destinado a congelar o sêmen de pacientes que querem fazer vasectomia ou que irão se submeter a radio ou quimioterapia.

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Jornal do Commercio
Recife - 16.04.2000
Domingo