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PEDIDO
Corte decide hoje destino do garoto Elián

MIAMI – Uma multidão reuniu-se ontem em frente à casa dos parentes do garoto cubano Elián González, em Miami, e rezou para que ele seja mantido nos Estados Unidos, antes de uma corte norte-americana decidir sobre um ponto importante do caso internacional de custódia da criança.

Os manifestantes oraram para que Elián não fosse enviado de volta a Cuba e chegaram a mostrar um letreiro no qual se lia: “Elián, Deus está com você. Seu pai está com satã”.

O 11º Tribunal de Apelações de Atlanta, no Estado da Geórgia, deverá decidir hoje se acata o pedido dos parentes do pequeno balseiro de seis anos para que seja proibida sua repatriação enquanto a Justiça americana não der seu parecer sobre sua solicitação de obter a custódia do menino.

O Departamento de Justiça pediu à corte que rejeite a apelação do tio-avô de Elián, Lázaro González, permitindo que o garoto seja entregue a seu pai, Juan Miguel González, que o espera em Washington com sua atual mulher e filho.

Os parentes do garoto se negam a entregá-lo e têm o apoio dos grupos de exilados anticastristas de Miami, os quais mantêm uma manifestação permanente diante da casa de Lázaro para impedir que as autoridades levem o menino.

Ontem, Juan Miguel concedeu entrevista ao programa 60 Minutes da rede norte-americana de tevê CBS, e acusou seus parentes de Miami de abusar de seu filho quando fizeram um vídeo em que ele dizia ao pai que não queria voltar para Cuba.

“Isso foi induzido porque não é o sentimento verdadeiro do menino. O modo como estão abusando dele, colocando-o contra seu pai, é um sofrimento maior do que o que ele passou no mar”, declarou.

Juan Miguel disse que seus familiares encheram o menino de brinquedos, falaram mal dele e deram a entender a Elián que sua mãe reapareceria nos Estados Unidos.

Muitos temiam que os esforços para manter o garoto em Miami fracassassem ontem, 39º aniversário da mal-sucedida invasão da Baía dos Porcos, quando exilados treinados pela CIA não conseguiram entrar em Cuba, fato que causou muita frustração entre a comunidade cubano-americana.

Elián foi um dos três únicos sobreviventes do naufrágio de um barco, em novembro último, no qual 11 cubanos fugiam para a Flórida. Sua mãe morreu no acidente e ele está há cinco meses vivendo com a família de Lázaro.

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Jornal do Commercio
Recife - 18.04.2000
Terça-feira