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Regina Pitoscia

Bovespa segue recuperação nos EUA

A virada na Bolsa de Nova Iorque assegurou um fechamento positivo de 0,14% na Bolsa de São Paulo. Foi uma valorização modesta, mas suficiente para interromper cinco pregões consecutivos de baixa e indicador também da reação da Bolsa paulista, que chegou a mergulhar em queda de 5,17%, no meio da tarde.

A Bolsa de Nova Iorque iniciou os negócios em baixa, mas logo se recuperou e percorreu o pregão em alta ao longo do dia. O índice Nasdaq, as ações de tecnologia, biotecnologia e Internet, alvos de forte pressão vendedora, fechou com avanço de 217,87 pontos ou 6,56%. O Dow Jones, das ações de empresas tradicionais, subiu 276,74 pontos ou 2,69%.

Embora expressiva, a alta de 6,56% do Nasdaq recupera apenas parcialmente a perda de 9,7% de sexta-feira e muito pouco da baixa de 25,3% acumulada pelo índice de tecnologia com as seguidas baixas na semana passada. As ações subiram pouco em relação ao que caíram nos últimos pregões, mas a questão é saber se terão fôlego para permanecerem em alta. Até porque, lembram analistas, o tombo do Nasdaq e do Dow Jones na sexta-feira não refletiu apenas a correção da sobrevalorização das ações na Bolsa de Nova York.

O fato novo e preocupante é a aceleração dos preços nos EUA, que projeta uma possível elevação das taxas de juros, depois que os dados divulgados na sexta-feira indicaram que a inflação de março, de 0,7%, foi bastante superior à previsão de 0,5% do mercado.

Analistas lembram que o Federal Reserve (FED, o banco central dos EUA) pode agir com rigor e elevar as taxas de juros além do estimado pelo mercado para conter possível surto inflacionário na economia dos EUA, o que prejudicaria ainda mais a Bolsa norte-americana.

A perspectiva de alta dos juros nos EUA pode manter a instabilidade no mercado de ações. Um sinal preocupante na Bolsa doméstica, comentaram operadores, foi uma suposta corrida a saques pelos investidores, o que teria levado a Bolsa de São Paulo a uma queda superior a 5%.

O declínio das cotações do dólar após uma abertura em forte alta, para fechar em baixa de 0,22%, também favoreceu a recuperação das ações por aqui. Mas a expectativa do mercado em relação à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que começa hoje e termina amanhã, não mudou: o juro básico deve ser mantida em 18,50% e o viés alterado de baixa para neutro.

TENDÊNCIAS – Os contratos de juros negociados na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) para abril projetaram taxa de 18,56% ao ano (1,29%) ao mês, acima dos 18,54% ao ano (1,29%) ao mês registrados na sexta- feira, para maio, a projeção subiu para 18,89% (1,52%), ante 18,87% (1,52%), do fechamento anterior, assim como a de junho avançou para 19,61% (1,50%), ante 19,27% (1,48%) da véspera.

Ouro
O ouro movimentado na BM&F fechou o pregão cotado por R$ 16,75 o grama, com valorização de 1,21%. O volume negociado foi de 90 kg. No mercado de Nova Iorque, na Comex, a onça-troy foi cotada por US$ 282,10 nos contratos para liquidação em abril.

Dólar
Os preços fecharam em estabilidade no paralelo e em queda no comercial. O paralelo subiu 1,06%, para R$ 1,90, mas fechou estável, cotado por R$ 1,860 na compra e R$ 1,880 na venda; o comercial recuou 0,22%, comprado por R$ 1,776 e vendido por R$ 1,778, no fechamento dos negócios, depois de ser cotado por R$ 1,803, com alta de 1,18%, na máxima do dia.

Bolsa
As cinco maiores altas, entre as 44 ações do IBovespa, foram Banco do Brasil PN, 11,4%; Celesc PNB, 7,8%; Telesp Celular PA PN, 4,3%; Telesp ON, 4%; e Duratex PN, 3,2%. As maiores baixas, Brahma PN, 7%; Klabin PN, 6,4%; Gerasul ON, 5,8%; Itaubanco PN, 5,6%; e Siderúrgica Nacional ON, 5,3%.


Jornal do Commercio
Recife - 18.04.2000
Terça-feira