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TURISMO PEDAGÓGICO
Pacotes históricos para estudantes

por Mona Lisa Dourado

Aproveitando o momento das comemorações dos 500 anos do Descobrimento do Brasil, as agências de turismo locais, especializadas em roteiros pedagógicos, estão levando grupos de estudantes de escolas particulares para viajar pelo Nordeste afora. O objetivo é oferecer uma oportunidade para que eles conheçam melhor sua região e sua história, vivenciando na prática os conteúdos abordados na sala de aula.

O turismo educacional tem-se tornado, nos últimos anos, um filão cada vez maior. “É um mercado relativamente novo, com boas oportunidades e poucos profissionais habilitados”, avalia a presidente do Sindicato dos Guias Turísticos de Pernambuco, Íria Serqueira.

Realizando um trabalho que antes era feito pelo professor durante as aulas-passeio, como numa excursão tradicional, os agentes hoje elaboram programações didáticas, contratam transporte e fornecem guias de turismo treinados especificamente para esse segmento, além de providenciar uma alimentação apropriada aos alunos e promover atividades lúdicas, com uma equipe de recreação qualificada.

Geralmente, é o currículo escolar que serve de base para a montagem das viagens temáticas, que englobam assuntos compatíveis com, pelo menos, três disciplinas. “Um passeio desses corresponde a um mês de aula convencional. Em vez de terem uma noção distante a respeito da história de Pernambuco, por exemplo, os estudantes sentem a emoção de estar presente em cada local onde se deram os aconteceimentos do passado”, defende Carlos Tibúrcio, proprietário da Espaço Pedagógico, que chega a fazer 20 passeios mensais com estudantes dos cinco aos 18 anos.

Outro aspecto positivo do turismo pedagógico, de acordo com Solange Vieira, sócia da agência Ostra Turismo, é o de estimular a convivência em grupo e a disciplina. “Procuramos proporcionar um ambiente descontraído, despertando no turista-estudante o interesse pelas informações transmitidas”, explica. “Buscamos, também, formar o turista do futuro, concientizando os estudantes quanto à importância da valorização e da preservação das nossas riquezas naturais e culturais”, completa Íria Serqueira.

ATRAÇÕES – No mês em que se completam os 500 anos do descobrimento do Brasil, o município do Cabo de Santo Agostinho, onde teria aportado o navegador espanhol Vicente Pinzón antes mesmo da frota de Cabral chegar ao Brasil, é um dos pontos principais da programação de aulas-passeio oferecidas pelas agências. Na cidade, pode-se visitar a Vila de Nazaré, com suas edificações e ruínas seculares, a exemplo do Forte Castelo do Mar, da Casa do Faroleiro e da Igreja de Nazaré, esticando o passeio até o Engenho Massangana, onde se tem uma idéia de como funcionava o sistema colonial.

Como o passeio é interdisciplinar, assim como se aprofundam nos temas relativos à história do Brasil e de Pernambuco, os alunos observam as rochas subvulcânicas e plutônicas, formadas pelas lavas que jorraram do vulcão Ipojuca, já extinto, passando, ainda, pela reserva de Mata Atlântica e pelos rios, praias, ilhas, cabo e ístimo que compõem a geografia do Cabo e do município vizinho de Jaboatão dos Guararapes.

Em Jaboatão, são os Montes Guararapes que guardam a memória do período relacionado à invasão holandesa. Já em Igarassu, num outro passeio, a aula continua pelo sítio histórico da cidade e por seus engenhos coloniais do século 17, que reconstituem o ciclo da cana-de-açúcar em Pernambuco.

Fora do Estado, uma das excursões mais interessantes é aquela que leva os estudantes para a Serra da Barriga, em Alagoas, onde, há mais de 300 anos, localizava-se o Quilombo dos Palmares. O preconceito racial no Brasil, o Movimento Negro e a cultura afro-brasileira são os destaques da aula prática de história.

VIAJANDO E APRENDENDO – Em geral, as excursões didáticas realizadas no Estado de Pernambuco duram apenas um dia e custam entre R$ 9 e R$ 30. A garotada que viaja só tem uma preocupação: o passeio vale nota. Na volta de cada viagem, os estudantes normalmente têm de fazer um relatório, que serve como aprendizado, fixação e avaliação. “Os professores sempre passam trabalhos baseados no passeio, o que exige que a gente preste atenção”, confirma Michele Rodrigues, 13 anos, aluna da oitava série do Educandário Nossa Senhora de Lourdes.

A escola é uma das que privilegia as aulas extra-classe, com um projeto chamado Viajando e Apredendo, através do qual os professores de cada disciplina apresentam sugestões de viagens à coordenação pedagógica logo no início do ano letivo.

Para Rafaela Leite, 13, também aluna do educandário, as melhores excursões das quais ela participou foram para o planetário, em João Pessoa, e para o Cabo de Santo Agostinho, onde conheceu o funcionamento do Porto de Suape e sua importância para a economia do Estado, além de passar pelas trilhas percorridas por Pinzón. Atualmente, a estudante está ansiosa com a próxima viagem programada, cujo destino é a capital baiana. “Nessas excursões, ao mesmo tempo em que a gente fixa o que estudou nos livros, enriquece a bagagem cultural através do contatos direto com os lugares e pessoas”. Palavra de estudante.

Serviço

Espaço Pedagógico
F.426.3251/9162.2439
Ostra Turismo
F.439.6065/439.2885

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Jornal do Commercio
Recife - 13.04.2000
Quinta-feira