por Marcus Andrey
Especial para o JC
Fonte de energia por excelência, é também matéria-prima para fabricação de plásticos, tintas, tecidos sintéticos, detergentes e dezenas de derivados. Foi responsável por alavancar a economia norte-americana e hoje tornou-se o produto mais importante de todo o comércio internacional. Claro que estamos falando do petróleo, que tem pouca utilização em seu estado natural (óleo cru) mas que, quando refinado, tem variados usos e pode determinar a grandeza de uma nação. Depois de 60 anos de exploração, o Brasil finalmente poderá se tornar auto-suficiente em petróleo, a partir de 2005.
O País importa, atualmente, 150 milhões de barris de petróleo por ano. Somente este ano, a Associação dos Engenheiros da Petrobras calcula que o País terá gasto US$ 8 bilhões com a importação do produto. A produção média de petróleo, no ano passado, foi de aproximadamente 1,1 milhão de barris por dia, e a de gás natural foi superior a 32 milhões de metros cúbicos por dia.
Debaixo do solo brasileiro revela-se um tesouro de grandes proporções: as reservas de petróleo, que são os volumes que se pode extrair, comercialmente, das jazidas, pelos métodos de recuperação e produção conhecidos. A Petrobras informou que as reservas totais de petróleo e gás natural do Brasil, segundo os critérios da SPE (Society of Petroleum Engineers), indicam os volumes de 14,4 bilhões de barris de petróleo, e de 468,4 bilhões de m³ de gás natural. Se considerarmos os dois produtos, as reservas totais brasileiras chegam a 17,3 bilhões de barris de óleo equivalentes.
FACA DE DOIS GUMES – O conselheiro da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), Ricardo Maranhão, explica que o Brasil consome, atualmente, cerca de 700 milhões de barris de petróleo por ano. “Com nossas reservas, teríamos condições de nos abastecer sem precisar importar petróleo por mais de 30 anos. Os Estados Unidos, que já dominaram o mercado mundial de petróleo, só têm reservas para mais cinco anos e gastam anualmente US$ 140 bilhões com a importação do produto. Se o Governo Federal não tivesse cortado os investimentos para a Petrobras, teríamos alcançado a auto-suficiência há muito tempo. Desde 1979 os investimentos em extração de petróleo são feitos com recursos próprios da empresa”, explica Maranhão.
A Petrobras, com uma produção média de 1,2 milhão de barris de óleo por dia (período de janeiro a julho de 2000), tem como meta produzir 1,85 milhão de barris de óleo por dia em 2005, alcançando a auto-suficiência. A produção de óleo e de gás natural é de, respectivamente, cerca de 51 mil barris por dia e seis milhões de metros cúbicos por dia (dados da Petrobras em 31/7/2000).
O conselheiro da Aepet alerta que, com a quebra do monopólio, a lei brasileira permite que o produto explorado pelas multinacionais seja exportado. Caso essa exportação seja desenfreada, em pouco tempo nossas reservas desaparecerão. “A auto-suficiência é uma faca de dois gumes: se o preço do barril ficar elevado, convém utilizar as reservas. Caso o valor despenque, é melhor importar o produto”, avalia Maranhão.
A importação de petróleo no Brasil é necessária, segundo Maranhão, para alavancar a exportação de produtos e serviços nacionais, bem ao estilo ‘uma mão lava a outra’. “Mas esse mecanismo hoje está complicado porque a empresa que fazia essa negociação, a Interbras, foi fechada durante o Governo Collor”, disse.
Se para atender ao mercado interno, o Brasil demoraria mais de 30 anos para acabar com suas reservas, em contrapartida, com a exportação do petróleo nacional para os Estados Unidos, por exemplo, poderemos ter uma escassez do produto em menos de 6 anos. “Já começaram a exportar o petróleo da Bacia de Campos (RJ) para a Argentina. Precisamos ficar de olho para não perdermos nossa riqueza energética”, alertou Maranhão.
HISTÓRIA – Em meados do século 19, a necessidade de combustível para iluminação (principalmente querosene, mas em algumas áreas, gás natural) levou ao desenvolvimento da indústria do petróleo, dominada pelos Estados Unidos até o final do século XIX. A partir de 1900, o crescimento da indústria automotiva fez com que a demanda aumentasse rapidamente. Hoje em dia, o petróleo fornece uma grande parte da energia mundial utilizada no transporte e é a principal fonte de energia para muitas outras finalidades. Nos últimos 50 anos, tornou-se fonte de milhares de produtos petroquímicos, amplamente utilizados pela sociedade.
Ao longo do século XX, a importância do produto cresceu tanto que sua participação no atendimento das necessidades mundiais de energia passou de 3,7% em 1900, para cerca de 60% em 2000.
As reservas mundiais estão se esgotando e há poucos lugares a serem explorados. Muitos problemas de poluição estão associados à extração, refino e uso do petróleo, e a expansão da demanda transformou-o em efetiva moeda internacional, com muitos problemas políticos associados. O desenvolvimento tecnológico tem reduzido os problemas relacionados ao petróleo, mas se o consumo continuar nos níveis atuais, as reservas conhecidas se esgotarão dentro de poucas décadas.
Atualmente, grande parte das operações de extração de petróleo se dá em alto-mar (offshore). As plataformas, de acordo com a profundidade do leito oceânico, podem ser fixas (jackup), ancoradas ou semi-submersíveis, com acomodações para centenas de pessoas, que mantêm ininterruptamente as operações, em sistemas de turnos. O gás presente nos depósitos é conduzido por tubulações até a costa, onde é armazenado em tanques especiais.