
PATRIMÔNIO II
Peças
falam de uma cidade reconstruída Coincidência ou não, um dos
milhares de itens em exposição no instituto é uma
espada, segundo o presidente Gonsalves, responsável pela
morte de um general português que lutou na Revolução
de 1817. Guardada em um mostruário com tampa de vidro e
interior empoeirado, como a maioria dos demais objetos
ali expostos, a citada arma é apenas uma entre tantas
outras arrumadas no piso superior do casarão. Lá,
estão vários exemplares de pistolas e fuzis de
diferentes batalhas e eras.
Embaixo, próximo da
saída para o pátio interno, repousa uma espécie de
púlpito, esculpido em madeira escura, lembrando os
tempos áureos do Ginásio Pernambucano. Era nele que
professores de subiam para transmitir conhecimento a
brilhantes profissionais pernambucanos que ali estudaram.
Na área externa do casarão, pode-se observar restos
históricos da destruição desenfreada que o Bairro do
Recife sofreu no início da primeira década do século
20 fruto do movimento positivista francês no
Brasil. A prova disto é uma pedaço de um dos pilares do
Arco de Santo Antônio, construído no século 18 em
frente a livraria Ramiro Costa, e que foi posto abaixo em
nome da modernização impensada.
É uma pena que no ano
dedicado às comemorações dos 500 anos do Descobrimento
do Brasil, nenhum daqueles que tautologicamente
ocupam cargos públicos no Estado, como destaca o
jornalista Mário Hélio, tenham se lembrado de
contribuir de alguma forma com o instituto. O escanteio
das autoridades governamentais em relação ao acervo da
casa azul da Rua do Hospício chega a ser vergonhoso.
Será que o seu destino será semelhante à decadência
do Ginásio Pernambucano, antigo centro formador de
personalidades influentes, como o prefeito Roberto
Magalhães? Porque de 97 para 2000 o detalhe que mudou
foi a contribuição mensal dos seus membros, que passou
de R$ 20 para R$ 35.
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