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TEATRO
Festival de Curitiba tem início ao som do maracatu

por JANAÍNA LIMA*
Enviada especial

O maracatu mais conhecido do grupo Maracatu Nação Pernambuco abriu o Festival de Teatro de Curitiba, na última quinta-feira. Ao som de: É maracatu! É maracatu! entraram em cena os integrantes da Intrépida Trupe, grupo escalado para inaugurar o evento. O sotaque pernambucano continuou durante toda a apresentação que contou ainda com um xote, um solo de rabeca, uma capoeira e uma música de Chico Science. Mas, afora a trilha sonora, e a utilização de dois narradores, bufões batizados de Catireus e Marcina, em nada mais Kronos faz referência à cultura nordestina.

A trama dirigida pelo trio Beth Martins, Cláudio Baltar e Vanda Jacques na verdade narra a história do tempo no mundo. Através de figuras, mitológicas como Réia, Zeus e o próprio Kronos, a peça discute a luta do homem em dominar o tempo, desde o início da criação, a partir da teoria do Big Bang. Kronos, guardião do tempo, mantém a sua liderança devorando os próprio filhos, mas, ao não conseguir exterminar o caçula, Zeus, acaba perdendo o trono. A cena da disputa entre pai e filho é uma das mais bonitas do espetáculo, com os dois atores montados em pernas de pau, digladiando-se com lanças de fogo. O fogo, aliás, é um elemento utilizado durante toda a encenação, ora surpreendendo a platéia com os cuspidores, ora nas mãos dos excelentes malabaristas da trupe.

Na seqüência, os humanos passam a cada vez mais disputar o controle do tempo, representado por uma âmbula escondida numa mala, que acaba nas mãos de Marcina e Catireus, que resolvem libertar o tempo. E o ritmo da vida passa a ser controlado apenas pela movimentação dos astros. Nessa hora, a Intrépida Trupe encena um dos melhores momentos do espetáculo, com quatro atores-bailarinos pendurados no teto da Ópera de Arame.

Se a Intrépida Trupe surpreendeu o público com os seus números de malabarismo e trapézio, a peça Caesar, atração internacional do festival, que estreou na última sexta, não funcionou. Além da barreira da língua – cada ator interpretou na sua língua-pátria, ou seja, croata, sérvia e macedônia – a adaptação da Julio Cesar, de Shakespeare, e do romance de Brecht, Business Mr. Julius Caesar, ficou confusa, apesar da boa atuação individual do elenco, formado por atores experientes.

Três cancelamentos e uma novidade alteraram a programação inicial do evento, já no seu segundo dia. A peça Play, de Felipe Hirsch não será mais apresentada na mostra oficial, e O Retrato do Amor Quando Jovem e Ramanda e Rudá estão fora da programação do Fringe, mostra paralela do festival. Em compensação, o público ganhou a oportunidade de conferir Ventriloquist, peça de Gerald Thomas, em cartaz no Rio de Janeiro, e que será apresentada nos dias 22 e 23. O 9º Festival de Teatro de Curitiba segue até o próximo dia 26 de março, com apresentações em teatros, espaços alternativos e na rua.

* A repórter viajou a convite da produção do evento.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.03.2000
Segunda-feira