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PLANTIO
Chuva de São José anima agricultor

A chuva que caiu ontem e sábado em alguns municípios da Mata Norte animou os agricultores que esperavam o sinal dos céus na véspera e no Dia de São José, para saber se teriam um inverno bom. Na área rural, a data é utilizada como um referencial para a plantação do milho que deve seu colhido em junho. Acredita-se que, quando chove em março, o ano é bastante promissor para a agricultura.

Já na semana passada, o santo dava sinais que a coisa ia melhorar: somente na região do Cariri paraibano, entre Natuba e Salgado de São Félix, choveu, em apenas dois dias, o suficiente para provocar o estouro de vários açudes e barragens. Foram mais de 100 milímetros cúbicos de água, o que, segundo o agrônomo Pedro de Brito Coutinho, já supera a quantidade de chuva na região em todo o ano de 99.

A quantidade de chuva que vem caindo sobre todo o interior nordestino desde o início do ano leva agrônomos e agricultores a acreditarem que 2000 será um ano de muita fartura no campo. Bom para São José que, devido a isso, voltou a ser homenageado nas comunidades rurais, já que a seca persistente nos últimos quatro anos estava quase tirando a fé dos agricultores. Ontem houve procissão e folguedos em sua homenagem em vários municípios do interior.

A ligação de São José com as chuvas vem da tradição criada pelo trabalhador rural de plantar o milho na véspera do seu dia. “Faz parte de uma sabedoria popular”, explica o agricultor Antônio Muniz de Andrade, 48 anos. Segundo ele, quando o inverno é regular, todo o milho plantado na véspera de São José é colhido exatamente na véspera do Dia de São João, 24 de junho. “É o momento em que o milho verde tem o maior valor de mercado”, comentou.

Na Vila de São José, zona rural do município de Natuba (PB), onde reside Antônio Andrade, São José foi homenageado com uma festa nunca antes vista no local. “Estamos vendo a possibilidade de novamente termos a nossa região produzindo alguma coisa”, disse Cilene Medeiros, uma das organizadoras da festa. Ela prometeu a São José que, a cada ano, fará uma festa melhor se não faltar chuva na localidade.

Além da procissão, a festa religiosa contou com a celebração da missa inaugural da capela construída pela comunidade em cumprimento às promessas feitas ao santo. Na parte profana, parque de diversões e bailes integraram a homenagem dos moradores do local. Pouco mais que 50 residências compõem o vilarejo onde a maioria dos agricultores possui seu próprio pedaço de terra e poucos são assalariados.

Já em Chã da Preguiça, em Salgado de São Félix, além da agricultura, a pecuária também fazia parte das atividades produtivas da população. “Fomos obrigados a parar de criar porque não havia água”, comentou o fazendeiro José Salviano da Silva, 28, lamentando a perda de aproximadamente 50% do plantel, devido à estiagem. Salviano já foi um dos maiores produtores de queijo tipo coalho da região.

CAPITAL – Também no Grande Recife, o dia de ontem foi de homenagens para São José. Dois anos e meio após ter sido reaberta, a Igreja de São José do Ribamar – no bairro que leva o nome do santo, no Recife – realizou uma procissão, no início da tarde, após missa solene, que reuniu cerca de cem fiéis. Eles acompanharam o cortejo, que saiu em direção ao Cais de Santa Rita, passando pela Igreja da Penha e voltando à de São José do Ribamar.

No bairro do Ipsep, uma missa campal na quadra de esportes da Praça da Vila Mauricéia marcou os festejos de São José, na noite de ontem. A festa se estende até o próximo dia 26, com shows à noite e parque de diversão. Já a Igreja Católica Ortodoxa Siriana de Jaboatão realizou, ontem, a primeira procissão ao santo na cidade. O cortejo saiu da Associação de Moradores de Jardim Piedade, onde a igreja, aberta em janeiro, funciona provisioriamente.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.03.2000
Segunda-feira