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MOBILIZAÇÃO Médicos denunciam curso de acupuntura Representantes da Sociedade Médica Brasileira de Acupuntura (SMBA) anunciaram que vão entrar com ação no Ministério Público Estadual contra os cursos de acupuntura para leigos fora da área médica que estão sendo oferecidos no Recife. A iniciativa tem como alvo um curso organizado pelo Sindicato dos Terapeutas Holísticos do Estado de Pernambuco. Com duração de nove meses, o treinamento teve início semana passada, sendo realizado numa clínica no bairro da Boa Vista. O objetivo da entidade é conseguir a aprovação da Lei Complementar 6795, que regulamenta a aplicação do método por médicos, odontólogos e veterinários, reconhecendo, no entanto, os profissionais que já atuam fora desses requisitos. Segundo o presidente da SMBA, Dirceu Lavor Sales, a prática da acupuntura por leigos oferece riscos à saúde das pessoas. Estamos falando de um procedimento invasivo, baseado na inserção de agulhas na periferia do corpo, que atravessam a pele e gordura até atingir um músculo, onde acertam a fibra nervosa que deve ser estimulada. Na falta de conhecimento sobre a anatomia humana e dúvida com relação ao diagnóstico do paciente, órgãos fundamentais do corpo podem sofrer lesões, como o pulmão e o coração. Não podemos permitir que cursos sejam oferecidos sem nenhum critério, alertou. Para Sales, são muitos os casos de erro médico nessas situações. Até na China, berço da acupuntura, 1.992 pessoas morreram no ano passado devido a problemas com profissionais despreparados. Na Noruega, inclusive, médicos da Universidade de Trondheim constataram que uma mulher faleceu porque seu acupuntor deixou a agulha passar do orifício do osso esterno, provocando uma hemorragia interna. O sangramento ocorreu na cavidade onde fica o coração, impedindo o funcionamento do órgão, disse. De acordo com Sales, é preciso tomar alguns cuidados antes de iniciar um tratamento de acupuntura. A primeira regra é conhecer a formação do profissional escolhido, recorrendo aos conselhos de medicina, odontologia e veterinária em caso de dúvida. É importante ainda exigir o uso de materiais descartáveis. O fisioterapeuta e terapeuta ocupacional Heitor Casado, responsável pelo curso questionado pela SMBA, informou que pretende repassar apenas noções básicas sobre acupuntura. Não há nenhuma lei vigorando no País que impeça o treinamento. O problema é que os médicos querem ter exclusividade na prática da acupuntura. Minha idéia é fornecer orientação geral sobre o assunto, para que as pessoas possam partir para outros cursos com mais embasamento, rebateu. Segundo Casado, os cursos mais aprofundados em acupuntura conseguem preparar leigos para a prática da técnica. A maioria dos meus alunos é de pessoas ligadas à área de saúde. Ainda assim, todos os que passam por cursos de especialização estudam anatomia e fisiologia, entre outras noções. Não é uma aplicação aleatória do método, reforçou. O médico homeopata Gustavo Sá Carneiro vai ainda mais longe na discussão. Estudos superficiais não garantem o conhecimento das terminações médicas. Aconselho a população a se consultar com especialistas que tenham títulos internacionais reconhecidos, como o da Organização Mundial de Saúde, conferido em Pequim e com validade para o mundo todo, orientou. |
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