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ASTRONOMIA
Explosões solares serão mais intensas este ano

por MARCELO ROBALINHO

Partículas ionizadas que viajam em direção à Terra a uma velocidade estimada em 2 a 3 mil quilômetros por segundo (km/seg), como se fossem “línguas de fogo”. Esta não é uma cena de um filme de ficção científica, mas uma das conseqüências das explosões solares, fenômeno que, de acordo com os cientistas, deve ocorrer com mais intensidade este ano. O motivo: após 11 anos, a estrela está entrando num ciclo de “máximo solar”, em que a atividade na sua atmosfera (caracterizada como uma massa gasosa) é mais intensa. Não haverá catástrofes na Terra em virtude disso. No entanto, se sua televisão sair do ar por alguns instantes, pode ser um sinal de que o fenômemo está afetando satélites de comunicação.

“As explosões solares ocorrem a partir do aparecimento de manchas escuras que, em contato com o plasma quente da atmosfera do Sol (a mais de 5.000 graus Celsius), criam um ambiente instável, desencadeando a liberação de enorme quantidade de energia para o espaço interplanetário”, explica Pierre Kaufmann, diretor executivo do Centro de Radioastronomia e Aplicações Espaciais (Craae), em São Paulo. Essa energia, explica o físico, viria na forma de partículas aceleradas (elétrons e prótons) e radiação eletromagnética – como raios X e gama –, além de ondas luminosas, de rádio e infra-vermelhos.

No entanto, como as partículas são mais densas, elas demoram cerca de 72 horas para chegar à superfície da Terra, conforme afirma o astrofísico do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Francisco Fernandes. “A radiação, ao contrário, chega por aqui em oito minutos, já que vem na velocidade da luz”, diz. Apesar de o fenômeno já ser estudado desde o século 17 – quando Galileu descobriu as manchas solares –, os astrônomos ainda não conseguem prever quando as explosões serão mais intensas.

“Não existe ainda um pleno domínio do conhecimento dos processos físicos envolvidos no Sol e na produção de manchas”, atesta Pierre Kaufmann. Sabe-se que o fenômeno acontece o ano inteiro, em menor ou maior quantidade, dependendo da quantidade dessas manchas, que são pólos magnéticos (a exemplo de um ímã). Elas são formadas a partir de turbilhões que acontecem abaixo da superfície do Sol e se concentram, sobretudo, na parte central da estrela, o equador. “Curiosamente, as mais extraordinárias explosões surgem na subida e no declínio do ciclo solar, época em que as manchas presentes ainda são poucas”, diz o diretor do Craae.

Para nós, esse ciclo máximo solar, que deve se estender até o próximo ano, não tem conseqüências diretas, explica o vice-presidente da Sociedade Astronômica do Recife, José Amaury Pereira. “Isso pode vir a interferir nas transmissões de rádio e de televisão, causar danos em satélites de comunicação ou, o que é mais raro, interromper o fornecimento de energia durante alguns minutos, como a que ocorreu no Canadá, em 1989”, adianta.

Por outro lado, as explosões também podem causar efeitos na alta atmosfera terrestre, sendo mais espetacular as auroras boreais e austrais, que provocam fenômenos luminosos, como luzes de neón. “Elas podem ser observadas ao anoitecer e, às vezes, até à meia-noite”, informa Pereira. Ele alerta, porém, para os riscos que as radiações ultravioleta podem ter nesse período. “Como o Sol está numa atividade mais intensa, isso provocaria uma maior descarga de desses raios, o que vir a afetar mais a nossa pele”, alerta.

Serviço
Leia mais sobre os ciclos solares nos sites
www.sunspotcycle.com e www.spaceweather.com

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Jornal do Commercio
Recife - 19.03.2000
Domingo