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MAMÍFEROS
Caça e devastação ameaçam os raros esquilos encontrados na Mata Atlântica

Os esquilos, roedores que se alimentam de amêndoas, frutas e cascas de árvores, não existem apenas nos parques e florestas de países de clima temperado. Levantamento realizado no Refúgio Ecológico Charles Darwin, em Igarassu, indicou a presença do animal na Mata Atlântica. Ao contrário dos Estados Unidos e da Europa, no entanto, por aqui eles são mais raros. E, como muitas das espécies da fauna brasileira, encontram-se ameaçados pela caça e o desmatamento.

“Tem diminuído muito a população de esquilos nas nossas florestas”, afirma o coordenador do refúgio, Roberto Siqueira. A redução desses animais é uma ameaça para a própria mata. De acordo com o biólogo, os esquilos são fundamentais para a reprodução de determinadas plantas. É que eles costumam enterrar sementes das frutas para comer depois e acabam esquecendo de algumas. Esse hábito resulta no nascimento de novas árvores.

Arborícolas, os esquilos descem das árvores para buscar alimento ou enterrar sementes. Geralmente eles são vistos durante o dia, comendo e se locomovendo. Siqueira explica que os esquilos necessitam desgastar os dentes, que têm crescimento contínuo. “À noite eles costumam dormir em ocos de árvores”, conta.

São também as árvores que garantem a reprodução dos esquilos, denominados cientificamente de Sciurus aestuans. Eles constroem seus ninhos nas forquilhas de galhos distantes de dois a quatro metros do solo. Nascem de dois a três filhotes por gestação.

Siqueira explica que os esquilos são mamíferos solitários, sendo encontrados aos pares durante o período reprodutivo. Um pouco menores que os dos Estados Unidos e da Europa – um adulto pesa em média 100 gramas –, eles têm o pêlo marrom e, no Brasil, são mais conhecidos como serelepes ou caxinguelês.

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Jornal do Commercio
Recife - 19.03.2000
Domingo