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O requinte feito para se degustar O sabor do charuto tem uma relação forte com a gastronomia e com as bebidas. A mais lembrada é o vinho até por ser uma constante fazer um paralelo com ele mas pode ser degustado tanto com uísque como qualquer outra bebida alcoólica. Tudo depende da preferência da pessoa, assim como acontece com as marcas de charuto. Há quem prefira os cubanos, outros os dominicanos, holandeses, etc. De maneira geral, todos gostam de degustá-lo depois de uma boa refeição. Logo após a comida é sempre bom experimentar um charuto mais encorpado. Mas o tamanho depende muito da ocasião. Se a pessoa tiver tempo, pode acender um double corona, ou um churchill. Já numa happy hour, por exemplo, o ideal é um charuto menor, explica o charuteiro Flávio Luna. O critério a ser levado em conta é o da praticidade. Em encontros rápidos, acender um charuto que dura duas horas é jogar dinheiro fora, pois não haverá tempo de fumá-lo todo. E reacendê-lo em outra ocasião, ou em outro dia, destrói seu sabor. É claro que, se ele apagar naturalmente, durante uma conversa mais animada, não há motivos para ficar preocupado: acenda-o novamente, desde que seja na hora. Para um iniciante, o melhor charuto são os fabricados em série, pois, são mais fracos. Como um bom vinho, o charuto é para ser apreciado em ocasiões especiais, na hora de relaxar, de descontração, de diversão. Nada a ver com o corre-corre, tão comum com o perfil do cigarro. O charuto tem um sabor autêntico, apesar do cheiro desagradável para a maioria das pessoas. É ótimo para degustar depois das refeições. No entanto, tudo se torna bastante pessoal. Tenho um amigo que fuma Montecristo o dia inteiro, diz o dentista Rogério Monteiro. O cachimbo também tem suas ocasiões próprias, porém há quem não leve muito isto em conta, fumando em qualquer ocasião dirigindo, trabalhando, lendo e até mesmo deitado. O cachimbo é uma meditação, pois tem de haver dedicação a ele. O cachimbeiro deve limpá-lo, cuidá-lo. Em troca, ele ajuda a pensar, alega o empresário John Jaime, que, na verdade, fuma tudo o que é permitido. De acordo com o empresário, fumar cachimbo é difícil, pois há toda uma técnica. Além disso, a pessoa tem de se identificar com seu cachimbo, tem de senti-lo na mão. Eu prefiro o tipo Sherlock Holmes, pois se apóia na boca e, assim, eu posso fazer outras atividades enquanto estou fumando. Todo o prazer de degustar o sabor da folha do tabaco tem uma ligação muito forte com a gastronomia. Sou iniciante, porém me adaptei muito bem ao charuto. Gosto muito de um bom jantar e de vinhos, explica o empresário Luiz Castanha. Não é à-toa que restaurantes mais sofisticados abrem espaços para os clientes fumantes. É o caso do Garrafeira. Depois que os artistas de Hollywood deram um novo impulso ao charuto, a moda voltou. Como o fumo é o complemento do gourmet, resolvi colocar um pequeno umidor (estante de charutos) no restaurante, afirma um dos sócios, Anastácio Borges. Como o charuto não agrada a todos os clientes, Borges resolveu o problema vendendo apenas os cubanos mais caros. Para não haver engarrafamento, brinca. O cheiro do charuto incomoda até outros fumantes. Certa vez acendi um charuto num espaço reservado aos fumantes e quando percebi, vários deles se sentiram incomodados, relembra o dentista Rogério Moraes. Vai entender esses fumantes... |
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