
ENTREVISTA/ Tande e
Giovanni
Volta
à quadra não depende só de nós São mais de quinze anos dedicados ao
vôlei, e incontáveis títulos: brasileiros, mundiais,
sul-americanos e olímpico. Depois disso, três anos
jogando nas areias quentes do vôlei de praia e pimba! A
dupla mais famosa da modalidade, Tande e Giovanni, pode
voltar às quadras, onde fez carreira e, principamente,
história. A possibilidade alegra os dois, mas não é
sua meta principal, já que a transferência do piso
sintético para o natural se fez por escolha própria.
Mesmo assim, os dois se alegraram ao saber que a
seleção está de braços abertos, como afirmou Giovanni
em entrevista ao Jornal do Commercio, Defender o
Brasil sempre é bom, seja lá em qual piso. Sobre
seu futuro no esporte, a volta a seleção brasileira e
qualidade de vida, Tande/Giovanni conversaram com a
repórter Andreza Vasconcelos.
JORNAL DO
COMMERCIO O técnico da seleção brasileira de
vôlei, Radamés Latari, declarou, nesse fim de semana
que não haverá convocação, mas se vocês quiserem,
poderão voltar à seleção. Vocês pretendem aceitar o
convite?
TANDE Antes de responder essa pergunta,
nós temos que saber se essa possibilidade é real e
depois analisarmos uma série de coisas.
JC Tipo o quê?
T Nós temos que conversar com os nossos
patrocinadores e com Ary Grássia (presidente da
Confederação Brasileira de Vôlei - CBV) e ver quais
são as condições que o Radamés vai impor, porque ele
declarou também que a gente tem que estar a fim de estar
lá, de decidir o que quer da vida.
JC Mas vocês não têm interesse em
voltar à seleção?
T Não é questão de interesse. Quem
não quer defender o Brasil numa Olimpíada. Nós
queremos. Mas nós temos três patrocinadores que
investiram em nós como duplas de vôlei de praia. Não
adiante a gente dizer vamos e acabou-se. Tem
muita coisa por trás. Além disso, hoje eu sou
presidente da Associação de Vôlei de Praia. Então,
fica complicado para ir. Vou ter que colocar alguém no
meu lugar, resolver milhões de coisas, enfim...
GIOVANNI É, defender o Brasil é
sempre bom, seja em que piso for, mas...
JC Radamés afirmou também que poderia
fazer com vocês o mesmo que vai fazer com Marcelo
Negrão. Negrão vai para a Liga Mundial com a seleção,
mas não vai disputá-la. O objetivo é voltar à forma,
treinando com a equipe para depois conseguir uma
convocação para Sidney. Para vocês isso seria
vantagem?
G É complicado porque a nossa vida está
toda estruturada aqui. Se a gente voltar, vai ter que se
adaptar e o período que a gente teria para essa
adaptação seria a Liga. Mas não para voltar à forma
física porque a gente não está parado. Nós estamos no
melhor da nossa forma.
JC Por causa do vôlei de praia?
G: É. Nossa cabeça hoje é toda voltada para o
vôlei de praia. A gente vive do vôlei de praia, o nosso
pão de cada dia vem do vôlei de praia. Então, a gente
não pode pensar em outra coisa. Pelo menos, não agora,
sem ter uma posição oficial da CBV.
JC Você enfrentaria alguma resistência
pessoal em voltar às quadras, já que foi escolha
própria sair delas?
T É, a gente decidiu sair exatamente
pela minha qualidade de vida, que hoje é melhor do que
eu tinha na quadra.Agradeço à quadra tudo que eu tive
na minha vida, mas é uma verdade. E outra, mesmo se eu
for ou não para a Olimpíada, eu volto automaticamente
para a praia quando chegar.
JC A que exatamente vocês se referem
quando dizem que a qualidade de vida é melhor nas
quadras?
T A quadra exige de você uma
concentração muito longa. E isso é muito complicado.
Várias vezes eu estava com minha esposa num cinema e a
gente teve que sair antes da sessão terminar porque já
era hora de voltar para o hotel. Essas coisas estressam
um pouco o atleta.
G Lógico que no começo tem que ser
assim. Mas, a partir do momento em que você é um
profissional, tem papéis sociais a cumprir pai de
família, filho, etc e começa a ser cobrado em
demasia, isso gera desgaste com o tempo.
JC É por isso que os atletas estão
saindo da quadra direto para a praia?
T Não sei. Talvez sim. Mas na verdade o
que está acontecendo é que as pessoas, o brasileiro e
os atletas brasileiros estão descobrindo coisas como
essas que aconteceram aqui. Levaram uma arena de vôlei
de praia para a beira do rio São Francisco para levar o
esporte a lugares distantes. Hoje em dia, você pode
jogar em qualquer lugar. É espetáculo. É fazer aquilo
de que gosta, de qualquer maneira.
JC Já que ainda não há resposta para as
quadras, em relação as Olimpíadas, como é que fica a
situação de vocês na areia. Ficou difícil a
classificação para Sidney, não foi?
T É, se a gente quiser ir para as
Olimpíadas pelo vôlei de praia ainda restam dez etapas.
Dessas dez, a gente tem que ganhar seis. Não que seja
impossível, mas é difícil, muito difícil. Emanoel e
Loyola, que já garantiram a vaga sabem que é difícil e
estão indo porque têm muita experiência e vôlei
impressionante.
JC E o Circuito Banco do Brasil? No
segundo ano de formação da dupla, vocês já foram
campeões. Como é que está a situação?
T Quanto ao Circuito, a gente vai
aproveitar que está em sexto no ranking, e só
aconteceram duas etapas, para tentar uma boa colocação
na próxima e voltar aos primeiros lugares. A gente está
treinado muito.
G Até mesmo essas
apresentações e desafios que a gente veio fazer aqui em
Petrolina servem para manter o ritmo. Agora mesmo, a
gente pegou uma dupla muito forte Lula e Adriano
(Francismar) o que é bom para impor o ritmo. A
gente treina a semana inteira. Se pudéssemos fazer um
jogo desse por semana, seria perfeito.
JC Falando em treino. Como é o esquema de
vocês para os treinos?
T Todo dia nós treinamos., mesmo em
horários diferentes. Isso é uma coisa legal da praia.
Há um horário que eu me sinto melhor para fazer minha
musculação. O Giovanni tem o dele. Eu faço a parte
técnica pela manhã. As vezes ele faz a tarde. É muito
mais legal. É por isso que com 30 anos (completados
hoje) e depois de 18 anos no vôlei, eu não consigo
abandonar mais a praia.
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