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SAÚDE A medicina do equilíbrio por Fabianna Freire Pepeu Ao introduzir no pensamento ocidental, no século 17, a idéia de separação entre mente e corpo, o filósofo francês René Descartes estava criando um problema que se arrastaria até os dias de hoje em todas as áreas do conhecimento. Da cabeça, ou melhor, da mente, cuidariam os psiquiatras. Do resto do corpo, outros especialistas. Levando às últimas conseqüências essa separação entre os territórios do corpo e do espírito, a medicina ocidental moderna preferiu, em muitos casos, classificar seus pacientes como hipocondríacos a perceber que, por trás daqueles queixas inexatas, havia, sim, uma pessoa enferma, mesmo que aqueles sintomas não caracterizassem, ainda, uma doença possível de ser comprovada através de exames. Um exemplo simples ilustra a situação. Uma pessoa come chocolate e tem dor de cabeça. Esse desequilíbrio energético não aparece em ultra-som ou radiografia, e, por isso, os médicos negam que o paciente esteja doente, explica o anestesista e clínico geral Carlos Eduardo Martins Guimarães, que há 15 anos resolveu aprimorar a sua formação médica estudando medicina ayurvédica, na Índia, e medicina chinesa, no curso de pós-graduação da Escola Paulista de Medicina. Segundo Guimarães, a medicina ocidental é uma medicina de causa e efeito. Se uma infecção na garganta é causada por uma bactéria, ela vai ser tratada com antibiótico. Ao contrário do que acontece com as medicinas energéticas (a chinesa e a ayurvédica) e, até, com a homeopatia, que percebem a doença como uma conseqüência de a pessoa estar em desarmonia, optando por tratar o doente e não a doença (bactéria), ressalta ele. E o doente, nessa perspectiva global, ou holística, como preferem alguns, tem nome e sobrenome, fugindo da impessoalidade que usualmente caracteriza as relações entre médico e paciente. O médico, em geral, faz todos os exames mas não olha para o paciente. Não sabe o nome dele, nem que sentimentos tem, admite o médico Marcos Freire Júnior, que, tendo feito especialização em saúde pública, pela Universidade de Brasília, também resolveu conhecer a medicina oriental, estudando, por dois anos, no Colégio de Medicina Tradicional Chinesa de Xangai (China). A afirmação de Freire encontra eco no depoimento da analista de sistemas Danielle Franklin. Os médicos são altamente desatenciosos, especialmente os que atendem através dos planos de saúde, que são maioria atualmente. Parecem muito mais preocupados com a quantidade de pacientes do que com a qualidade do atendimento. De acordo com Danielle, depois de passar uma manhã ou tarde inteira esperando para ser recebida pelo médico, ele não dispõe de tempo para a consulta. A pessoa quer chegar lá e conversar sobre o problema, que, às vezes, nem sabe qual é, e o médico não tem nem cinco minutos para ouvir. A gente sai do consultório com uma sensação de frustação. Se recebeu uma diagnóstico, fica desconfiado sem saber se é realmente possível ele ter chegado ao resultado num tempo tão curto, conta. Nessa comparação entre as abordagens ocidental e oriental, outro item chama a atenção dos médicos que optaram por conhecer diferentes modelos de assistência à saúde. Ao dar uma importância muito grande aos detalhes, a medicina ocidental criou os superespecialistas e acabou perdendo a noção do todo, o que é muito ruim, ressalta Freire. Ao dedicar-se ao estudo pontual do organismo humano, a medicina moderna acabou relegando a um segundo plano aspectos que são essenciais para a manutenção de uma boa saúde, como a questão de uma alimentação saudável; das horas a serem divididas, equilibradamente, entre o trabalho e as atividades de lazer e, ainda, a importância da prática de exercícios físicos regulares. Outra grande diferença entre esses modelos é o grande avanço tecnológico da medicina praticada na maioria dos países em todo o mundo, especialmente depois da década de 60, quando foi transplantado o primeiro coração humano. Não é todo problema de saúde que pode ser resolvido com mudanças alimentares e exercícios físicos e, por isso, as cirurgias têm seus méritos. Agora, se é possível uma solução sem um procedimento tão invasivo, então, essa outra solução deve ser prioritária, ensina o sanitarista. O que também acontece, muitas vezes, segundo Marcos Freire, que é acupunturista, é que muitas pessoas parecem incapazes de efetuar mudanças em seus hábitos. A cirurgia pode até resolver o problema, mas, sem uma mudança de comportamento, a doença volta a aparecer, adianta. Apesar das ponderações sobre o atual modelo médico de atendimento, dominante no país, ambos os médicos acreditam que é possível uma integração entre esses dois mundos. Não existe uma antítese. Há uma complementação, porque as duas abordagens têm suas limitações. O tratamento de um câncer já instalado, por exemplo, vai depender de tecnologias recentes, exemplifica Marcos Freire. Para Magalhães, o estudo mais sistematizado no mundo é o da medicina ocidental, que é rico em metodologia de pesquisa. Ao associar a medicina ocidental à medicina oriental comprovando seus benefícios, como fizeram com a acupuntura, através da dosagem de níveis hormonais e de líquidos orgânicos , o médico vai perceber que essa integração pode ser muito boa, aposta ele. Na página seguinte, você conhece mais sobre algumas práticas que propõem a cura através do equilíbrio entre corpo e mente. |
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