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LANÇAMENTO
Como comer açúcar sem a velha culpa

por Marcia Cezimbra
Agência Globo

Comer um doce ficou mais gostoso. Se o açúcar for orgânico – produzido nos canaviais cultivados sem agrotóxicos da Usina São Francisco, em São Paulo, e que acaba de chegar aos supermercados – o prazer adicional virá da garantia de que ao menos este docinho não contém aditivos químicos. Pode ser um alívio. Há dez anos, por exemplo, o açúcar comum poderia conter até mercúrio, metal nocivo da fórmula de pesticidas hoje proibidos.

A marca Native já exporta açúcar orgânico desde 1997 para 18 países e representa 50% do fornecimento mundial deste produto. Agora, a Usina São Francisco estima ocupar 0,4% do mercado nacional de açúcar com a comercialização de 12 mil toneladas de açúcar. O endocrinologista Walmir Coutinho diz que a iniciativa da produção orgânica é louvável, mas considera o mel mais saudável do que o açúcar.

Para o endocrinologista Márcio Bontempo, a população deveria comprar o açúcar mascavo orgânico, à venda por várias marcas, entre elas a Native e a paranaense Terra Preservada. O açúcar refinado, segundo ele, provoca danos ao organismo.

“O açúcar mascavo orgânico deve ser consumido. Já o açúcar mascavo comum tem muito mais agrotóxicos do que o branco, porque não passa pelo mesmo processo de refinamento e contém uma quantidade maior de aditivos químicos nocivos à saúde. O melhor não é o branco orgânico, nem o mascavo, mas sim o mascavo orgânico”, diz Bontempo.

Autor de 35 livros sobre medicina natural, entre eles, Receitas para ficar doente, Emagrecer é sopae Os remédios da harmonia, ele considera o açúcar branco um dos principais responsáveis pela degeneração biológica da raça humana.

“O refinamento isola a sacarose, que começa a eliminar o ferro e o manganês do organismo. O açúcar branco, orgânico ou não, desestabiliza o ph humano, aumentando o ácido carbônico. Faz uma drenagem de cálcio que provoca a osteoporose, força o pâncreas a fornecer insulina extra e altera as reservas glicogênicas do fígado. O açúcar mascavo e o melado são ricos em minerais, mas devem ser orgânicos”.

DESEJO X NECESSIDADE – Já o nutricionista Leonardo Haus disse duvidar que o organismo humano precise tanto de açúcar como se queixa boa parte de seus pacientes. “Para adoçar, o melhor seria acertarmos o desejo com a necessidade. Ou seja, eu desejo açúcar, mas não necessito. Posso até consumi-lo, mas só no fim de semana. É melhor optar por frutas, barras de cereais, algo que contenha mais nutrientes do que um sabor docinho. E que não seja tão devastador. Ninguém deve ainda se enganar achando que, ao fazer a escolha hipocalórica dos adoçantes artificiais, estará fazendo uma escolha saudável. A melhor opção é a de um alimento que, além de saciedade, lhe traga uma possibilidade de saúde”.

Haus costuma recomendar aos seus clientes o uso de melado, rico em ferro; mel, por sua função hidratante; açúcar mascavo, que possui boa fonte de zinco; além da frutose. Estas indicações não se estendem, porém, aos diabéticos. “Nós podemos conseguir a energia dos hidratos de carbono do açúcar também em frutas, hortaliças e cereais integrais. Estes são ricos em fibras, que ajudam na prevenção do câncer do trato gastrintestinal, da diverticulite, do cólon irritável e da constipação intestinal, além de provocar uma redução dos níveis de colesterol”, diz Haus.

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Jornal do Commercio
Recife - 19.03.2000
Domingo