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LANÇAMENTO II
Consumo de adoçantes gera polêmica

Se os malefícios à saúde são inevitáveis tanto no consumo do açúcar quanto no de adoçantes, o melhor caminho seria o de caloria zero: aspartame, ciclamato de sódio, sacarina. Médicos e nutricionistas, porém, discordam deste raciocínio simplista e reacendem a polêmica sobre possíveis danos causados pelos adoçantes.

O médico naturalista Márcio Bontempo, por exemplo, afirma que os indícios de efeitos nocivos do aspartame já são suficientes para que ele deixe de recomendá-lo a seus pacientes. Já o ciclamato de sódio e a sacarina, liberados no Brasil, estão, segundo ele, proibidos em mais de 70 países, entre eles os Estados Unidos.

“Os médicos não podem ser tão inconseqüentes quanto à indústria alimentícia. O correto seria que os malefícios de um produto fossem investigado antes de liberado o seu consumo, mas se faz o contrário. Primeiro, as pessoas consomem e depois descobrimos que faz mal. Não me deixo levar por denúncias sem fundamento feitas pela Internet, mas li sobre o trabalho de pesquisadores britânicos na respeitada revista Nature sobre os possíveis danos do uso do aspartame e em sites de universidades americanas. Para mim, isto é o bastante para não indicar mais este adoçante a ninguém”, comenta.

Já o endocrinologista Walmir Coutinho considera um alarme falso as críticas feitas ao aspartame. Ele disse não ter encontrado nada contra o aspartame no Medline, o maior banco de dados do mundo sobre artigos científicos, mas sim trabalhos de nutricionistas renomados recomendando o uso, como o da nutricionista Josefina Monteiro.

“Recomendo em primeiro lugar aspartame para diabéticos ou obesos, porque não deixa gosto amargo na boca. Depois, indico o ciclamato e a sacarina. Se o paciente não tem tendência a engordar, recomendo o mel. O açúcar, orgânico ou não, não recomendo a ninguém, por causa de uma subida glicêmica muito rápida”, diz.

O endocrinologista Leão Zagury disse que as doses malignas de aspartame, ciclamato e sacarina equivalem a 60kg por dia injetados no sangue. Ele recomenda o adoçante natural feito a partir das folhas de stévia e sugere aos pacientes que alternem os adoçantes e as marcas para evitar o excesso de cada uma dessas substâncias no organismo.

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Jornal do Commercio
Recife - 19.03.2000
Domingo