LG_jc.gif (3670 bytes)

ALERGIA
Para quem não agüenta mais os constantes espirros e tosses

por Mona Lisa Dourado

Basta entrar em contato com livros antigos, aromas fortes ou qualquer objeto empoeirado para que o engenheiro químico Vanildo Martins Braga, 26 anos, seja vítima de um ataque alérgico.

Acometido por crises de rinite praticamente semanais desde a adolescência, o engenheiro não sai de casa sem um lenço e diz que, em algumas ocasiões, o problema já chegou a atrapalhar sua rotina. “Fico realmente incomodado quando tenho que parar de trabalhar e voltar para casa por conta de uma crise mais aguda. Certa vez comecei a espirrar durante uma prova da faculdade e foi uma agonia para terminar de respondê-la”, revela Vanildo.

Assim como o engenheiro, cerca de 15% da população mundial sofre com algum tipo de alergia. Tendo como fator determinante uma predisposição genética, as reações alérgicas podem ser desencadeadas por uma espécie de hiperreação imunológica a determinadas substâncias que invadem ou penetram no organismo e que são estranhas a ele.

Os tipos mais comuns de alergias são as respiratórias e as dermatológicas, que podem se manifestar através de rinites e asmas ou urticárias e dermatites. Os sintomas freqüentes são espirros, falta de ar, obstrução, inchaço, vermelhidão e coceiras, dependendo do local onde a reação ocorre, se na pele, nas narinas ou nos pulmões.

Já as causas, segundo os especialistas, são de diversas naturezas. No caso das alergias respiratórias, os maiores causadores são os ácaros – espécie de carrapatos microscópicos –, que se reproduzem principalmente em ambientes úmidos e fechados, estando presentes em colchões, travesseiros, almofadas, carpetes e até em bichos de pelúcia.“Outros fatores desencadeantes podem ser ainda os fungos do ar, conhecidos como mofo, pêlos de animais, picadas de insetos, alguns alimentos e substâncias químicas, como corantes e conservantes de produtos industrializados, além de medicamentos, que podem até matar, se chegarem ao extremo de provocar choque anafilático”, completa o alergologista Walfrido Antunes.

Como as alergias podem ser facilmente confundidas com outras doenças, a exemplo de gripes e resfriados, de acordo com Antunes, para que o problema seja diagnosticado de forma precisa, é necessário que o paciente procure um especialista ao sinal de qualquer dos sintomas indicativos, principalmente se há casos de pessoas alérgicas na família.

No consultório, o médico pesquisará a história clínica do alérgico para conhecer seus antecedentes de saúde, as influências do meio a que ele está submetido em casa ou no trabalho, seu uso de medicamentos, sua dieta e seu modo de vida. Em seguida são feitos exames físicos, à procura de características e sinais objetivos da alergia, e testes alérgicos para chegar seguramente a sua causa.

A partir daí, inicia-se o tratamento medicamentoso, com anti-histamínicos ou antialérgicos, broncodilatadores, corticosteróides – usados apenas nas reações alérgicas intensas –, e vacinas, estas indicadas principalmente para alergias respiratórias e picadas de insetos. “O paciente nunca vai deixar de ser alérgico, mas pode ficar clinicamente curado, evitando as crises”, explica Antunes.

Para prevenir, algumas recomendações precisam ser seguidas. Os portadores de alergias respiratórias, que são os mais suscetíveis às influênciais ambientais, por exemplo, devem impermeabilizar travesseiros e colchões com capas de algodão, trocar a roupa de cama com frequência e limpar ou eliminar tapetes, carpetes e cortinas. “Adquirir o hábito simples de abrir a janela para entrar sol e ventilação e não participar ou estar presente na hora da limpeza, bem como evitar a convivência com animais de estimação, se existe sensibilidade aos seus pêlos, também ajuda”, aconselha o alergologista.

_________________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 19.03.2000
Domingo