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PROCESSADOR
Rompendo a barreira de 1 giga

por Fabíola Blah
blah@jc.com.br

As mudanças no mundo dos chips acontecem tão rápido que não dá nem tempo de absorvê-las direito. Há alguns meses, o mercado recebeu processadores de 500 MHz; logo em seguida, os de 700 MHz, acompanhados de perto pelos de 800 MHz. Quem fez upgrade nesse meio tempo certamente ficou sem saber se gastou dinheiro na hora certa. Para aguçar ainda mais a dúvida, as duas principais fabricantes de processadores do planeta – AMD e Intel – lançaram na última semana chips que alcançam a velocidade até então impensável de 1 GHz.

Quem é que precisa de tanto poder? “Essa pergunta é a razão de nosso trabalho e, até hoje, temos encontrados aplicativos que utilizam o máximo do processador”, assegura o diretor de Marketing e Vendas de canais da Intel para América Latina, Ronaldo Miranda. “Videoconferências e sistemas de reconhecimento de voz, por exemplo, são utilizações grandes e complexas, que precisam de alta capacidade de processamento para atingirem um bom nível de qualidade”, defende.

Os chips Athlon e Pentium III de 1 GHz, com assinatura AMD e Intel, respectivamente, acirram ainda mais a tão falada guerra entre suas desenvolvedoras, que não querem perder um milímetro sequer do terreno já conquistado. A diferença entre os lançamentos foi de dois dias apenas, ficando o primogênito da família dos gigahertz para a AMD. Por enquanto, os chips só estão disponíveis no mercado norte-americano, em computadores das marcas Compaq e Gateway (com o Athlon) e Dell, Hewlett-Packard e IBM (com o Pentium III). Independentemente da primazia, o fato de haver um processador de tamanha capacidade é, por si só, motivo de comemoração tanto para desenvolvedores como fabricantes de hardware e os próprios usuários.

O Athlon 1GHz faz parte da família AMD K7, cujos processadores possuem barramento de 200 MHz, um dos mais altos do mercado. Sua arquitetura interna permite a execução de até nove instruções simultâneas, como se fossem nove chips embutidos. O cache é integrado ao microprocessador, mas dividido em dois níveis: o primeiro, L1, com capacidade para 128 KB de dados, e o L2, com variação entre 512 KB e 8 MB, dependendo da versão do processador.

BENCHMARK – Em testes-padrões norte-americanos – os chamados benchmarks – como o Internet Ziff-Davis Ibench, o Pentium III 1 GHz mostrou-se 14% mais rápido do que o Pentium III 800 MHz ao baixar páginas da Web num micro com Windows 98. Em ambiente corporativo, sob um Windows 2000, o Pentium III 1 GHz atingiu uma marca de 188 no benchmark BAPCos SYSmark – o recorde anterior, do PIII 800, havia alcançado apenas o ponto 170 da escala.

Em relação aos preços, os dois processadores chegam com valores variados. O lote com mil unidades do novo Pentium custa US$ 900, nos Estados Unidos. A mesma quantidade do Athlon não sai por menos de US$ 1,2 mil. Vale lembrar que a AMD também está colocando no mercado versões mais ‘lights’ de seu chip, com velocidade de clock de 900 e 950 MHz – mil unidades desses produtos custam, respectivamente, US$ 899 e US$ 999.

De acordo com números da Semiconductor Industry Association (SIA), as vendas mundiais de processadores movimentaram mais de US$ 14 bilhões, somente no mês de janeiro deste ano – crescimento de 32,9%, em relação ao mesmo período de 1999. A região da Ásia-Pacífico é a líder no desempenho do segmento, com percentual de ampliação de consumo de 45,9%; a segunda colocação ficou com o mercado japonês, qe apresentou crescimento de 43,2%. As previsões para este ano são otimistas, considerando-se que, em janeiro, mês tradicionalmente de vendas fracas, o movimento foi 0,4% maior do que em dezembro de 1999.

SERVIÇO

www.amd.com
www.intel.com

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Jornal do Commercio
Recife - 15.03.2000
Quarta-feira