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ESPERA
China modera discurso após a vitória do separatista Chen

PEQUIM – O regime chinês deu fim a seu discurso beligerante após a vitória registrada sábado (18) pelo candidato separatista Chen Shui-bian nas eleições presidenciais taiuanesas, constaram ontem os analistas. Depois de multiplicar nos últimos dias as advertências aos eleitores de Taiwan, Pequim reagiu com moderação à vitória de Chen, evitando fechar as portas para o diálogo.

A China se dispõe a “escutar o que o novo dirigente de Taiwan tem a dizer, observar o que fará e ver para onde vai conduzir as relações entre ambos os lados do estreito de Taiwan”, indicou ontem o regime comunista, em comunicado oficial.

“A reação chinesa é mais positiva do que se podia esperar”, declarou David Zweig, da Universidade de Ciências e Tecnologias de Hong Kong. “A China adotou uma atitude de espera e observação”. Os especialistas enfatizam que as reiteradas ameaças de intervir militarmente contra Taiwan tiveram um efeito contrapruducente para Pequim. “Agora tudo dependerá de de Chen Shui-bian”, advertiu Guo Zhenyan, professor do Instituto Chinês de Estudos Internacionais, um organismo subordinado ao Governo chinês.

Taiwan se afastou um pouco mais da China depois da histórica vitória de sábado. A eleição do separatista Chen Shui-bian marca uma mudança histórica para a pequena ilha de Taiwan, dominada até agora pelo todo-podoros Kuomintang, o partido nacionalista no poder há meio século.

A imprensa local, em sua totalidade, saudou a maturidade dos taiuaneses, que levaram a oposição até a presidência, ignorando as ameaças chinesas. “Não temos medo das ameaças de Pequim. A vitória de Chen prova a integridade e a coragem do povo taiuanês”, manifestou um dirigente do Partido Democrático e Progressista (DDP) de Chen.

“Um verdadeiro nacionalismo taiuanês está a ponto de nascer”, avaliou Jean-Pierre Cabestan, diretor do Centro Francês de Estudos sobre a China Contemporânea, radicado en Hong Kong. Um nacionalismo ambígüo, à imagem e semelhança da vitória de Chen, seu credo e seus eleitores.

A maioria dos taiuaneses, no entanto, é favorável à manutenção do atual status quo com Pequim, e rejeitam qualquer iniciativa, incluindo uma declaração de independência, que poderia provocar uma guerra com a China.

Mas agora Chen é um presidente com um apoio relativo de pelo menos 40% dos votos, observaram muitos jornais de Taipé. Consciente da situação, Chen já anunciou que renuncia a qualquer atividade de seu partido para ser presidente de todos os taiwaneses. Uma decisão indispensável, que o deixa de mãos livres para definir sua atitude em relação à China. Em seu primeiro discurso este sábado, o presidente eleito rejeitou tacitamente o conceito “um país, dois sistemas” proposto por Pequim para conseguir a reunificação de Taiwan com a “pátria-mãe” China.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.03.2000
Segunda-feira