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Por um fio Sempre existe um fio de esperança, e até que me animei a assistir ao clássico de ontem, no Gazanão. Mas a televisão dobrou a minha vontade. Deitado na rede, pernas para o ar e um copo de uísque na mão, não tirava o olho do jogo. De vez em quando dava um balanço na rede, e era o único alvirrubro que balançava a rede. Edinho, no banco, balançava a cabeça. Um fio de esperança, a sorte do Náutico por um fio, e um bocado de fio, sei lá de quê, sem fazer nada em campo. Edinho fez o que era possível, trabalhou com a cabeça, que é o seu forte, e tomou na cabeça. Ainda bem que foi na cabeça. Treinador por 90 minutos é dose. Com esse time, dou 90 anos a qualquer um que se meta a técnico. Palmas para o Sport que ele merece. Contou as favas antes da partida e deu certo. Réquiem para o Náutico e desculpas ao Santa Cruz em cujas mãos estaria a sorte do time dos Aflitos, se o resultado do clássico fosse outro, Segura na mão do Santa, já gritavam os pastores corais, prometendo ajuda ao time de pastorinhas. Favorito, sim, mas a torcida do Sport esteve inquieta, com medo de que a história mudasse de personagem e o Leão morresse na praia. Até Homero Lacerda já não era o mesmo dirigente da língua solta. Foi ele quem trouxe Roth, um técnico sem história. Se tem, a história é de trancoso. Homero prometeu até um Leão de Ouro ao treinador, que recusou: Eu não quero o Leão de Ouro, eu quero é o ouro do Leão. Aí, foi feito aquele contrato absurdo e em dois meses de trabalho o técnico recebeu 300 milhas de luvas, 240 milhas de salário, e se perdesse o turno receberia uma indenização de 240 milhas. Somando tudo, 780 mil pratas em pouco mais de 60 dias na Ilha da Fantasia que um dia ele sonhou e encontrou. Ainda bem que Caetano bancou o bandido, mais uma vez, e acabou com a alegria do Náutico. |
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