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SÃO PAULO
Situação de Pitta pode ficar mais difícil

BRASÍLIA – O prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PTN), vai ter de apresentar bons argumentos para impedir que a sua situação, já difícil, piore ainda mais no depoimento que prestará na quarta-feira na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE). Os senadores vão questioná-lo sobre o refinanciamento da dívida do município. E a expectativa é que tanto os da oposição como os governistas vão se valer da ocasião para marcar posição nas denúncias feitas contra o prefeito por sua ex-mulher, Nicéa Pitta.

O resultado desse complicador político - que traz de volta ao debate o desvio de títulos públicos para pagamento de precatórios, emitidos pela prefeitura na gestão de Pitta e de seu antecessor, Paulo Maluf - é que a rolagemda dívida deve ficar um bom tempo emperrada no Senado. O relator do projeto de resolução que autoriza a rolagem da dívida paulistana, Romero Jucá (PSDB-RR), lamenta que a situação tenda ao impasse. Na sua avaliação, a demora é favorável a Pitta. No entanto, o senador agumenta que não pode agir com precipitação num assunto dessa natureza.

Segundo ele, o prefeito tem sido beneficiado pelo atraso porque não está pagando a dívida. “O povo de São Paulo e o próximo prefeito terão de arcar com esse pagamento na sua quase totalidade”, comentou. Daí porque Jucá se prontifica a conversar com todos os candidatos à sucessão de Pitta que estiverem interessados em debater o prazo de renegociação da dívida.

O presidente da CAE, senador Ney Suassuna (PMDB-PB) disse que vai tentar dar um único direcionamento ao depoimento de Pitta, centrando a discussão na capacidade do município de honrar seus compromissos. “O problema da Nicéa é de superfaturamento. Não tem a ver com a comissão”, alega. A prefeitura de São Paulo quer renegociar em 30 anos uma dívida de R$ 10,5 bilhões, incluindo a parte contratual e a mobiliária.

CPI – O presidente do PL em São Paulo, deputado Marcos Cintra, anunciou ontem o apoio do partido à criação de uma CPI na Câmara Municipal para investigar as denúncias feitas pela ex-primeira-dama Nicéa Pitta. Cintra disse que a decisão foi acertada no sábado, pelos membros da Executiva Nacional. Hoje, a questão será fechada no encontro marcado para as 14 horas com os representantes do diretório regional. “Discutimos os prós e contra e constatamos que o PL não pode se omitir”, argumentou.

Segundo Cintra, candidato a prefeito de São Paulo, diante de uma questão fechada, o Regimento do PL não deixa outra alernativa a seus filiados senão a de segui-la.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.03.2000
Segunda-feira