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PERNAMBUCO II
Uma linda cidade com alma de mulher

A indicação de Olinda logo resultaria noutro guia, que aparece seis anos depois. Olinda – 2º Guia Prático, Histórico e Sentimental de Cidade Brasileira. É ainda mais ilustrado que o primeiro, e quase da mesma extensão. Nele, o turista aprende as diversas especulações para o nome da cidade. Desde a mais tradicional e conhecida, de Frei Vicente de Salvador, que diz que foi "um galego, criado de Duarte Coelho, quem batizou a cidade", ou Loreto Couto e Southey, que dão ao próprio donatário a origem da exclamação: Oh, Linda." E até o menos sentimental historiador Varnhagen: o nome viria de uma mulher da novela de cavalaria Amadis de Gaula, que era muito lida na época da colonização. E ainda Alfredo de Carvalho, que sugere uma simples transposição de nomes dados a cidades portuguesas como Linda-a-Pastora ou Linda-a-Velha. E vai até aos mais recentes historiadores que davam uma origem árabe ao nome.

"Olinda talvez seja isto: um nome de mulher. Um nome de heroína de novela lida pelo seu fundador. Fundador de quem se deve notar que seu brasão era dominado pela figura simbólica de um leão, daí talvez resultando vir Pernambuco sendo conhecido como o ‘Leão do Norte’. Olinda seria a cidade-princesa – de expressão de mais de um orador ilustre – guardada por esse leão heráldico. Olinda ou Marim. "E de onde viria esse termo indígena Marim, ou Mirim? O guia também informa: “Marim seria uma corrutela de Barim, que quer dizer coxo. Em luta com os índios, Duarte Coelho teria sido ferido numa perna e se tornado coxo. Daí os indígenas chamarem a vila portuguesa de Barim: vila do coxo. Mirim toda a gente sabe que quer dizer pequeno ou pequena. E em algumas escrituras mais antigas Olinda aparece designada pela expressão Vila Mirim, isto é, vila pequena."

OUTRAS IDÉIAS – Não foi o Guia Prático, Histórico e Sentimental da Cidade do Recife o único guia que fez para a sua cidade natal Gilberto Freyre (o texto do catálogo telefônico, em 1959, é uma adaptação desse). Há de um bairro, Apipucos, que fez nos últimos anos de vida. Nem ele queria terminar o seu interesse por guias ao de Olinda. Pensou em fazer também o de Salvador, mas deixou ao escritor Jorge Amado a tarefa. Imaginou também um para o Rio de Janeiro, mas achou que ficaria bem a tarefa ao seu amigo Gastão Cruls. Por último, o de Belém do Pará, desistiu depois de sair o de Leandro Tocantins. Pode-se mencionar ainda o de Ouro Preto, do poeta Manuel Bandeira.

Há outros guias literários de grande importância, como o de Ganivet, para Granada, na Espanha, e o de Lisboa, de Fernando Pessoa. Atualmente, parece haver um novo interesse pelo gênero, pois o jornalista Leonardo Dantas Silva acaba de entregar ao prefeito Roberto Magalhães um novo guia da cidade, que se chama Arruando pelo Recife, com oitenta páginas de texto e outras trinta de fotografias. (M.H.)

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Jornal do Commercio
Recife - 16.03.2000
Quinta-feira