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PERNAMBUCO IV As milagrosas águas olindenses Fosforita Uma palavra que está cada dia mais associada ao nome de Olinda é esta: fosforita. É que Olinda está se tornando grande centro de exploração científica de jazidas de fosfatos: exploração científica e industrial. E a graça é que para esse inesperado e importantíssimo acontecimento muito concorreu a primeira edição deste guia. Como? Ouça o leitor: é uma história digna de ser ouvida. Mostra que em pequenos fatos, aparentemente sem importância e apenas pitorescos, revelados por simples pesquisador do passado ou do cotidiano de um povo, que não se incomode de ser acusado de historiador ou sociólogo "amante do pitoresco" com sacrifício dizem os censores - da Ciência com C maiúsculo, podem estar sugestões de muito maior valor que nos fatos grandiosos ou nas generalizações majestosas. Uma das revelações deste Guia, desde a sua primeira edição (1939), é a de ter havido em Olinda certo culto da água, permitido pela Igreja; e ter motivado por umas águas consideradas milagrosas. Águas que curavam doentes. Que davam força aos fracos. Divulgou este Guia velho documento, desconhecido ou ignorado, sobre essas águas de Olinda, por algum tempo consideradas milagrosas: motivo até de procissões de que participavam piedosamente os próprios acadêmicos de Direito, rapazes naquela época dados a troças e boêmias que eram o deus-nos-acuda dos burgueses mais pacatos do velho burgo de Duarte Coelho. " E daí?" perguntará o já impaciente leitor. Daí resultou que o mesmo Guia foi lido por alguém com olhos perspicazes de pioneiro industrial que pensou: "essas águas milagrosas devem ter sido águas minerais." (....) Outro tesouro foi descoberto: não sob a forma de ouro enterrado por jesuítas mas sob forma ainda mais rica de possibilidades: fosfatos. Trecho do 2º Guia Prático, Histórico e Sentimental de Cidade Brasileira, de Gilberto Freyre |
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