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DOCUMENTÁRIO
Nova fase de Casa-Grande e Senzala na TV

por Kleber Mendonça Filho

As filmagens dos três últimos episódios do documentário Casa-Grande & Senzala, série em quatro capítulos do canal GNT dirigida pelo cineasta Nelson Pereira dos Santos (Vidas Secas, Memórias do Cárcere), começam na próxima semana. A primeira parte, Gilberto Freyre - O Cabral Moderno, foi ao ar em abril como parte das comemorações dos 500 Anos do Descobrimento. 2000 também marca a passagem dos 100 anos de nascimento do sociólogo.

Os três novos capítulos enfocarão o negro, o índio e o português. Os trabalhos de filmagem têm início dia 25, no Engenho Massangana, no Cabo, com trabalhos previstos para terminar apenas no início de setembro, quando a equipe irá a Portugal para finalizar o capítulo dedicado à presença e influência lusa na sociedade brasileira.

“Praticamente me mudei para Pernambuco, são quase dois meses de trabalho incluindo pré-produção e filmagem”, disse Pereira dos Santos à reportagem do Jornal do Commercio, em Olinda, onde está “morando”.

O diretor explica que os novos capítulos tentarão sintetizar o pensamento de Freyre contido em Casa-Grande & Senzala, tarefa que reconhece como difícil. “De qualquer forma, tenho um aliado de peso para esta tarefa, o Edson Nery da Fonseca que tem uma linha de raciocínio muito clara ao transmitir o pensamento de Freyre”.

Edson Nery foi considerado pela imprensa um dos pontos mais fortes do primeiro capítulo, com uma apresentação apaixonada e pessoal não apenas do sociólogo, mas também do homem Gilberto Freyre. “Edson Nery fala improvisando e geralmente acerta tudo logo na primeira tomada, é impressionante”, diz o diretor.

As filmagens serão realizadas no Engenho Massangana e em locações ao redor do Estado que irão mostrar aspectos importantes da atividade econômica da região analisadas por Freyre. Colheitas de cana, usinas de açúcar e um mapeamento dos engenhos que ainda existem, dotados de suas casas-grandes e o que ainda resta das senzalas. Igarassu e o Cabo de Santo Agostinho são locações certas.

A exemplo do que foi visto no primeiro episódio, a narrativa apresentada por Edson Nery da Fonseca será pontuada pela presença de uma personagem feminina que representa as novas gerações étnicas que compõem o Brasil. No primeiro episódio, uma jovem estudante representada pela atriz Vânia Terra acompanhou Edson Nery pela sua viagem ao mundo particular e intelectual do sociólogo. A personagem de Terra teria simbolizado a miscigenação racial.

Desta vez, três atrizes pernambucanas irão representar as etnias abordadas nos três capítulos. No episódio dedicado ao negro, Jade Santos, 25 anos, irá interpretar a negra. Ellyne Peixoto, 26 anos, representará a imagem do índio e Helena Menezes, 26 anos, a portuguesa.

A série é uma co-produção entre a Regina Filmes (de Nelson Pereira dos Santos) e a Videofilmes (de Walter e João Moreira Salles). Tem apoio local da produtora Tarciana Portella e da Fundação Gilberto Freyre. Os quatro capítulos irão ao ar em dezembro, no canal GNT.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.07.2000
Quinta-feira