
FESTIVAL
Garanhuns
rende-se aos encantos da Jovem Guarda, de João Grilo e
Chicó por
Leonardo Spinelli
ENVIADO ESPECIAL
Foi impressionante. Uma
multidão de mais de 30 mil pessoas - segundo a
produção do Festival de Inverno de Garanhuns - lotou a
Praça Guadalajara, na noite de terça-feira. A última
atração subiu ao palco a 1h de ontem. Ninguém arredou
o pé. Fazia algumas horas que o público era o mesmo.
Todos ali, para conferir os shows dos dinossauros da
jovem guarda: The Fevers e Golden Boys. Na verdade,
trata-se de duas bandas com carreiras superlativas.
Décadas de estrada, dezenas de discos lançados,
milhões de cópias vendidas (Fevers chega aos 9 milhões
de discos).
Barrigudos, de cabelos
brancos, estavam lá, fazendo o mesmo som de sempre. Foi
um grande desfile de músicas que teimam em não sair da
puberdade. Golden Boys atacou de hits como Alguém na
multidão, Pobre menina, Festa de arromba. Quem nunca
ouviu um desses hits? Fevers levou a galera ao som de Hey
girl, Gengis Khan, Elas por elas, Guerra dos sexos.
Enfim, um passeio pelos sucessos novelísticos, uma de
suas especialidades.
Dezenas de pessoas
ultrapassaram também a capacidade do Teatro Luís Souto
Dourado, para conferir a as peripécias de João Grilo e
Chicó, do universo de Ariano Suassuna no Auto da
Compadecida. A montagem foi recebida como o evento do
dia. Não era para menos. A trupe da Dramart Produções,
dirigida por Marco Camarotti, mostrou um espetáculo
veloz, de espírito circense. São oito anos de peça,
com encenações no Nordeste e, brevemente, para Minas.
A intimidade dos atores
com o texto permite um desempenho que beira à
excelência dramática, em contraponto ao cenário pobre,
que não faz juz ao porte da produção. Isso denuncia a
falta de grana e a grande vontade de levar o teatro nas
costas dos produtores e atores pernambucanos. No entanto,
eles estavam ali para divertir o público, que, com
certeza, riu à vontade com as desventuras daquelas
almas.
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