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TRANSPORTE
Motoristas reagem à prisão de fiscal e deixam 75 mil sem ônibus

por Bruno Albertim

A prisão do fiscal da empresa Itamaracá Paulo Eduardo Silva, 41 anos, desencadeou uma paralisação inédita no setor de transportes de Pernambuco. A partir das 4h, 600 dos 800 funcionários da empresa cruzaram os braços em protesto contra a detenção do companheiro de trabalho, acusado de golpes para desviar receita da empresa. Eles permaneceram em vigília em frente à sede da Itamaracá, no município de Abreu e Lima. Com isto, os 176 ônibus que fazem as 31 linhas da área norte do Grande Recife não circularam. No final da tarde, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou que os funcionários retomassem as atividades e liberassem os acessos da empresa. Caso não cumpram a determinação, o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários Urbanos de Passageiros estará sujeito a uma multa diária de R$ 50 mil.

Muita gente se aglomerava nas paradas em busca de transporte para chegar ao trabalho. No início da manhã, as kombis chegaram a cobrar até R$ 2,50 por uma viagem de Abreu e Lima ao Recife. A situação melhorou depois que a EMTU montou um esquema emergencial. Setenta e cinco ônibus foram relocados de outras empresas para cobrir o déficit, que afetou 75 mil usuários. Esta é quantidade diária de pessoas que utilizam as linhas da Itamaracá. “Precisei sair duas horas mais cedo para não me atrasar”, disse a auxiliar de enfermagem Onilda Freire.

O fiscal foi preso em flagrante na noite da segunda por agentes da Delegacia de Repressão ao Estelionato. O funcionário, que recebe em média R$ 400 por mês, foi encaminhado ao Aníbal Bruno por ter deixado oito pessoas subirem pela porta da frente de um ônibus, no posto de fiscalização da Itamaracá, na Avenida Martins de Barros, no Recife. Ele receberia a metade do valor das passagens.

Paulo foi o primeiro a ser preso pela operação policial que investiga golpes que geram evasão de receita no sistema de transporte de ônibus. “Temos um prejuízo mensal de R$ 2 milhões com gente que deixa de passar pela catraca. O usuário acaba pagando no final, inclusive, com possíveis aumentos de tarifas”, diz o diretor técnico de Transporte da EMTU, Enildo Arruda.

O gerente-geral da Itamaracá, Gbson Pereira, afirmou que o fiscal está envolvido em quatro das sete notificações sobre gente usando ônibus irregularmente que a empresa recebeu da EMTU. “Ele já foi advertido e está demitido”. O sindicato ao qual o fiscal faz parte não providenciou advogado para acompanhá-lo e o fiscal conta com a assessoria jurídica da empresa .

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Jornal do Commercio
Recife - 20.07.2000
Quinta-feira