LG_jc.gif (3670 bytes)

TRANSPORTE II
Funcionários denunciam irregularidades

Além de protestarem contra a prisão do companheiro de trabalho, os funcionários da empresa Itamaracá aproveitaram a ocasião para reclamar de uma série de irregularidades trabalhistas cometidas pela empresa. Ser obrigado a restituir o dinheiro de um assalto praticado dentro do ônibus é uma das mais pesadas, segundo os funcionários. O gerente-geral da empresa, Gbson Pereira, nega que irregularidades aconteçam. “A Itamaracá está aberta para visita da Delegacia Regional do Trabalho”, convida ele, que também avisa ter solicitado à DRT que decrete a ilegalidade do movimento grevista.

“Todo funcionário que for vítima de assalto, precisa trazer uma queixa policial bem fundamentada, com testemunhas, inclusive, e, claro, não será obrigado a pagar pelos prejuízos de um assalto”.

A informação não é confirmada pelos funcionários. “É quase impossível provar que o assalto não foi armado para beneficiar a gente”, diz um motorista que nega a identificar-se. “Me demitem”, justifica. “A empresa tem uma política tão repressiva que esta é a primeira vez que os funcionários realizam um protesto”, diz o sindicalista Gilson Loiola.

Ter que pagar por prejuízo nos carros também é outra reclamação. Mesmo quando os danos são causados por terceiros como, por exemplo, alguém que atira uma pedra contra o veículo. “Punimos apenas os motoristas, quando está claro que eles foram responsáveis diretos pelo dano. E com laudos técnicos competentes”, esclarece o representante da empresa. “Temos um desconto mensal fixo de R$ 25 por danos, que às vezes nem cometemos”, informa o motorista.

Gbson Pereira diz que a empresa tem uma estimativa de que 5% dos funcionários realizam os chamados golpes da passagem. Isto é , se apropriam indevidamente das tarifas. “Sempre que tomamos conhecimentos, advertimos os funcionários. Não são apenas eles os notificados. A própria empresa é autuada pela EMTU quando são constatadas estas irregularidades. Precisamos trabalhar dentro das normas”, alega.

________________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 20.07.2000
Quinta-feira