
ENTREVISTA/ Maria do
Socorro da Silva
Se ele
roubasse, nós não estaríamos nessa situação A mulher do fiscal preso sob
acusação de receber metade das passagens de oito
usuários, orientados por ele, segundo ocorrência
policial, a subirem pela porta da frente de um ônibus,
não se conforma com o fato. Maria do Socorro da Silva,
manicure, acha um absurdo a condução de seu marido ao
Aníbal Bruno. Falta dinheiro até para a nossa
feira da semana. Ele não está roubando ninguém,
diz, chorando.
JORNAL DO
COMMERCIO De que forma a senhora avalia a prisão
do seu marido?
MARIA DO SOCORRO DA SILVA Os policiais
foram educados com ele, mas é um grande absurdo tudo o
que aconteceu. Estão chamando meu marido, um
trabalhador, de chefe de gangue. Pelo Amor de Deus! Ele
ganha pouco, o salário não dá para quase nada. Se ele
estivesse roubando, estaríamos numa situação bem
diferente.
JC Como ele está?
MARIA Abatido, muito fragilizado. Quando
foi preso, não teve direito sequer a dar um telefonema.
Só soube no outro dia. Ele é tão querido que os
funcionários fizeram o protesto por ele. Na cadeia, há
dois presos que moravam no nosso bairro. São malandros,
mas estão protegendo ele. Arrumaram um celular para ele
me ligar. Ele pediu para eu não cansasse de lutar por
ele.
JC Ele chegou a admitir à polícia, no
momento de sua prisão, que costumava receber cerca de R$
20 por semana provenientes de passagens que não eram
registradas. A senhora sabia disto?
MARIA Nunca soube disso. É uma mentira.
Ele ganha pouco, falta dinheiro até para a feira. Eu
estou precisando fazer um exame ginecológico que custa
exatamente R$ 20 e ainda não o fiz por falta de
dinheiro.
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