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FAZENDÁRIOS
JARBAS DIZ QUE GREVE PODE ATRASAR A FOLHA

Acabou a paz entre o Governo do Estado e o Sindicato dos Auditores Fiscais (Sindifisco). O governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) disse ontem que atrasará o anúncio do pagamento do funcionalismo, caso realmente aconteça uma greve dos auditores fiscais hoje e amanhã. A divulgação da folha de pagamento está prevista para a próxima segunda-feira. Segundo o governador, a paralisação dos fazendários implicará num comprometimento da arrecadação e numa menor quantidade de recursos para fazer o pagamento dos salários do funcionalismo.

Jarbas chamou o presidente do Sindifisco, José Cândido Miranda, de arrogante. “Ele (o Sindifisco) não derruba secretário da Fazenda de meu Governo, embora tenha feito isso nos governos de Arraes e de Joaquim Francisco”, comentou.

Jarbas Vasconcelos falou que poderá existir uma “guerra de comunicação” entre o Sindicato e o Governo, “para esclarecer o que de fato pode ser feito com os recursos da privatização da Celpe. Por lei, o dinheiro não pode ser empregado em pagamento de salário ou custeio da máquina”. Ele se referiu à reivindicação de aumento dos salários dos fazendários.

O chefe do Executivo pernambucano também acusou os sindicalistas de não procurá-lo para combater a “minoria corrupta da categoria” e de “estarem aborrecidos com o aumento da arrecadação”.

Segundo o governador, desde a madrugada de ontem existem caminhões abarrancados nos postos de fiscalização nas fronteiras do Estado com a Paraíba e com Alagoas, esperando o começo da greve para passarem pelos postos de fiscalização sem recolherem os impostos estaduais.

Com relação à dívida de R$ 60 milhões da gestão anterior com o Ipsep, Jarbas repetiu a proposta de pagar em 24 meses a partir de janeiro. Questionado sobre o aumento de salário dos servidores, Vasconcelos argumentou que poderão ocorrer reajustes diferenciados para algumas categorias, sem acrescentar quais.

O presidente do Sindifisco, José Cândido Miranda, afirmou que a paralisação dos auditores fiscais não vai provocar o atraso no anúncio do pagamento do funcionalismo, pois os recursos que o Estado usará para pagar os salários do mês de julho são referentes às vendas feitas em junho.

Hoje, às 10h, os fazendários vão realizar uma assembléia. “Não é com ameaça que o movimento vai enfraquecer. Quem vai decidir se a greve será mantida é a categoria”, acrescentou José Cândido Miranda. O sindicalista informou também que se o governador tem conhecimento de corrupção entre os fazendários, deve acionar as medidas cabíveis para punir esses funcionários.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.07.2000
Quinta-feira