LG_jc.gif (3670 bytes)


Descentralização melhora função do FIG

Para marcar os 10 anos de Festival de Inverno de Garanhuns, a edição 2000 do evento foi ampliada e vem marcada pela descentralização. O palco principal da Praça Guadalajara vai ter, desta vez, que dividir as atenções com outros pólos de animação, como o palco específico para a cultura popular, a tenda eletrônica e a ‘filial’ do Pina de Copacabana, para os roqueiros de plantão.

Além disso, o festival também triplicou o número de apresentações de teatro e dança, dobrou os shows de música instrumental no Parque van der Linden, triplicou o número de oficinas artísticas e introduziu um ciclo de palestras. O Secretário de Cultura do Estado, Carlos Garcia, afirmou, na ocasião do lançamento do FIG à Imprensa, que “a idéia é dar um caráter mais cultural ao festival, tirando dele a aparência meramente festiva.”

Se a descentralização deu ao FIG uma grande diversidade, por outro lado trouxe a segmentação, que pode vir a prejudicar alguns artistas. Por exemplo: o palco da Guadalajara tornou-se quase que exclusivo das atrações consagradas, como Zé Ramalho, Gal Costa, Simone e Barão Vermelho. A descentralização também extirpa pela raiz a interação do grande público com artistas novos ou com representantes da cultura popular, como Mestre Salustiano ou com artistas da música instrumental, como Léo Gandelman.

O OUTRO LADO – No entanto, olhando pelo lado positivo quem sai ganhando é o público. Como a programação está completamente segmentada, as pessoas vão poder escolher, confortavelmente, o programa que melhor faz o seu perfil. Neste caso, o palco da Praça Guadalajara é o melhor exemplo da ‘funcionalidade’ da edição 2000 do FIG.

Dentro do caráter cultural do qual Garcia comentou, as oficinas são o principal destaque. Ao todo, são 25 delas, oferecendo cerca de 680 vagas divididas nas seguintes áreas: artes cênicas, visuais, música, literatura e educação patrimonial. O valor é de R$ 10. No entanto, bolsas de estudos foram distribuídas pela Secretaria de Cultura do Estado, fato que reduziu o número de vagas das oficinas para o público em geral.

Diante do sucesso alcançado no ano passado, com direito a desfile dos novos criadores e ótimas revelações, a oficina de moda foi a primeira a esgotar. Intitulada Criação de Coleção e Elaboração de Projeto para Desfile de Moda, é ministrada por Márcia Lima e Clezinho Santos, da Período Fértil. Há ainda outras opções igualmente tentadoras: técnicas circenses com Borica; cinema com Luiz Joaquim (do Caderno C); musicalidade africana com Garnizé, da Banda Faces do Subúrbio; a arte do frevo com Jáflis Nascimento, filho de Nascimento do Passo e dança afro-brasileira com Meia-Noite, coreógrafo do grupo Daruê Malungo. Segundo a produção, as vagas estão esgotadas.

_________________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 14.07.2000
Sexta-feira