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LANCE LIVRE
Fernando Menezes

Ou vai ou Wanderley se racha!

Há coisas que acontecem no pior momento, o que retira boa parcela de possibilidade de uma recomposição. Assim aconteceu com Wanderley Luxemburgo debaixo do frio de Assunção (mas que over-coat bacana, não? Aliás, eu chamei de sobretudo, mas Eduardo Lemos me corrigiu, sobretudo qualquer um tem, over-coat é peça para uns 2,5 mil dólares, coisa fina!) Todo o mundo e ele mais do que todo o mundo, esperava uma exibição consistente da Seleção. Depois do fiasco contra o Uruguai, em casa, carecia nosso Wanderley de uma boa exibição no caldeirão do Defensores del Chaco. Mas, o que se viu foi um bando confuso, tocando a bola para os lados, incapaz de uma única jogada ofensiva ao longo dos primeiros 45 minutos. Tomou um gol por completa ausência de marcação nas bolas altas e se perdeu. Se o Paraguai tivesse acreditado mais no seu potencial (é um bom time, especialmente da intermediária para trás) o placar poderia ter sido mais largo. No segundo tempo voltamos com a mesma apatia, mas, de repente, acertamos duas trocas de passes e passamos a jogar melhor do que o Paraguai. Desta animação saiu o empate. Então, que azar, quando o Brasil estava no seu melhor momento tomou o gol que o derrotou.

E agora, o que vai acontecer é muito complicado: a torcida já não confia no time e, portanto, já não confia no trabalho de Wanderley, e o próximo adversário é simplesmente a Argentina. Não é preciso lembrar todas as conotações de um jogo contra os argentinos. Será em São Paulo, e pior ainda, o paulista não é o melhor torcedor para apoiar a Seleção neste momento. A Argentina é atualmente a melhor seleção sul-americana, está disparada na tabela de classificação. Um insucesso brasileiro e pouco importa a categoria dos argentinos, será a gota d’água. O Brasil não jogará em São Paulo sua classificação, isso ainda está longe, mas Wanderley joga sua permanência como treinador. Constato algumas coisas: França, sem receber bola, correndo como doido, vai se ferrar. Roberto Carlos passou e Wanderley não admite. Os zagueiros se saíram bem, mas falta alguém para municiar os atacantes. Insisto em que Júnior deve entrar imediatamente. Enfim, fizemos uma péssima partida. A apreciação mais dura que ouvi foi a de Eduardo Lemos: o Brasil só tem um titular após todos estes meses, é o Dida!


Jornal do Commercio
Recife - 20.07.2000
Quinta-feira