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Regina Pitoscia

Corte nos juros surpreende mercado

A redução de meio ponto percentual na taxa básica de juros, de 17% ao ano para 16,50%, pelo Comitê de Política Monetária (Copom) no fim da reunião de dois dias, ontem, foi anunciada apenas no início da noite, após o encerramento de expediente no mercado financeiro. A redução do juro surpreende, mais uma vez, e a Bolsa pode responder positivamente a ela. Mas a reação pode ser momentânea, se persistirem fatores que já afetaram negativamente o mercado ontem.

O escândalo da obra superfaturada do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo alimentou inquietação de novo no mercado financeiro, após dois dias de trégua. A Bolsa de São Paulo voltou a recuar e fechou o pregão com desvalorização de 2,54%; as cotações do dólar subiram 0,39%, para R$ 1,804 na venda.

Desta vez, o mercado ficou apreensivo com a notícia de que o juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do TRT e foragido da Justiça, se apresentaria à polícia e poderia prestar depoimento sobre o escândalo em que é acusado de um desvio de R$ 169 milhões. O temor é que, ao fazer referências às relações que mantinha com o ex- secretário da Presidência da República Eduardo Jorge Caldas, o juiz Nicolau dos Santos Neto envolva também o presidente Fernando Henrique em obras superfaturadas do TRT paulista.

A preocupação com a crise política dividiu a atenção do mercado com a continuidade de queda das ações nos Estados Unidos, onde os mercados estão novamente preocupados com os indícios de pressão inflacionária na economia e uma possível resposta do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) com uma elevação dos juros na reunião de 22 de agosto. O índice Nasdaq, das ações de tecnologia, recuou 121,55 pontos ou 2,91% e o Dow Jones, de empresas tradicionais, 43,8 pontos ou 0,41%, no fechamento.

O mercado estará acompanhando hoje o depoimento do presidente do Fed, Alan Greenspan, no Senado, sobre as condições da economia e a política monetária norte-americana, às 11h. Antes, às 9h30, será conhecido o número de pedidos de auxílio-desemprego feitos na semana, até dia 15. Tanto o depoimento de Greenspan como os dados de auxílio-desemprego podem indicar o que pode vir a ser a política de juros do Fed.

BOVESPA – A Bolsa de São Paulo recuou mais acentuadamente, 2,54% ontem, para 16.927 pontos. Os fatores de pressão baixista foram a volta de incertezas com o escândalo do TRT–São Paulo, internamente, e a nova baixa das ações nos Estados Unidos.Em três pregões da semana, a Bolsa paulista acumula uma modesta valorização de 0,28%, que fica ampliada para 1,20% no mês. A perda no ano está em 0,96%. As cinco maiores altas, entre as 54 ações do Índice Bovespa (IBovespa), foram Aracruz PNB, 3,5%; Souza Cruz ON, 1,5%; Banco do Brasil ON, 1,3%; Brahma PN, 1,1%; e Petrobrás ON, 1%. As maiores baixas, Embraer ON, 6,2%; Embratel Participações PN, 5,4%; Eletropaulo PN, 5,3%; Copel PNB e Tele Centro Oeste PN, 4,8%.

Dólar
Os preços avançaram nos mercados de dólar paralelo e comercial. O paralelo valorizou-se 0,47%, cotado a R$ 1,908 para compra e R$ 1,932 para venda, e acumula uma alta de 0,21% em três dias da semana e de 0,63% no mês. O comercial teve alta de 0,39%, comprado por R$ 1,802 e vendido por R$ 1,804, e apura uma alta de 0,22% na semana e uma queda de 0,17% no mês.

Ouro
O ouro movimentado na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) fechou o pregão cotado a R$ 17,45 o grama, com desvalorização de 1,13%. O volume negociado foi de apenas 9Kg. No mercado de Nova York, na Commodity Exchange (Comex), a onça-troy (31,104 gramas) de ouro foi cotada a US$ 279,60 nos contratos para liquidação em agosto.

Renda fixa
As taxas de juros dos CDBs prefixados de 30 dias deverão sofrer novo corte hoje, após a decisão do Copom. Pela taxa máxima o papel prefixado de 30 dias foi emitido ontem por 17,53% ao ano, ou 1,36% bruto e 1,08% líquido.


Jornal do Commercio
Recife - 20.07.2000
Quinta-feira