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RUMO AO VOTO VI
Petista cobra investigação no Governo FHC

O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, desafiou ontem o presidente Fernando Henrique Cardoso a deixar que o seu Governo seja investigado. Lula, numa referência ao desvio de recursos para a construção do fórum do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), de São Paulo, na gestão do juiz Nicolau dos Santos Neto, lançou o desafio a FHC de permitir que se instale uma CPI para apurar a participação do ex-secretário particular e ex-ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Eduardo Jorge, nas liberações das verbas, e a responsabilidade do Governo no episódio. “Se FHC não deve nada, por que tem tanto medo de CPI? Nós só queremos investigar. Ninguém tá falando em impeachment”, disse Lula, em entrevista coletiva no comitê de João Paulo.

O virtual candidato do PT à Presidência da República relacionou o Sistema de Segurança Aérea da Amazônia (Sivan), o socorro aos bancos falidos e as denúncias de contas em paraísos fiscais, como casos em que a base do governo sempre “obstaculou” a instalação de CPIs. Lula considerou “inconcebível” o Governo querer equiparar a responsabilidade de Fernando Henrique, na liberação dos recursos para o TRT paulista, com a do relator da emenda de uma das parcelas, no valor R$ 18 milhões, da reserva de contingência da União, o deputado federal João Coser (PT/ES). Em represália à ação do PT, o Governo quer a “cassação” do deputado petista por “quebra de decoro parlamentar”. “Se o Governo liberou, não foi por causa do João Coser, e sim por Eduardo Jorge. Não sei se FHC está envolvido diretamente, mas é incompreensível que ele não soubesse das coisas”.

Lula afirmou que tentar “individualizar” a responsabilidade da liberação dos recursos para a obra superfaturada do TRT paulista “é querer encobrir a realidade”. O líder petista lembrou que Eduardo Jorge, hoje acusado de fazer lobby e exercer pressões políticas, dentro do Governo, foi secretário de FHC por 17 anos.

O presidente de honra petista ressaltou, por outro lado, que o partido vai transformar as eleições municipais deste ano em uma oportunidade para a discussão dos problemas nacionais. “A segurança, o emprego, a saúde e a educação são questões do País, e o que passamos hoje é resultado do modelo econômico neoliberal”.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.07.2000
Quinta-feira