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MARIANA Mais de trezentos anos de história por Mona Lisa Dourado Mais de três séculos contemplam a paisagem barroca de Mariana, cidade histórica considerada Monumento Nacional e berço do Estado de Minas Gerais. Um passeio pelas suas ruas, becos, casarões e igrejas, guardados pelas montanhas da Serra do Espinhaço, revela traços de um passado marcado pela riqueza e ostentação proporcionadas pela atividade mineradora do século 18 e por uma efervescência artístico-cultural e arquitetônica ainda viva no esplendor dos entalhes dos interiores das igrejas e nas suntuosas construções. Logo na entrada da cidade, no alto de uma colina, parecendo proteger Mariana, está um dos ícones da arte e da arquitetura daquela época: a Igreja de São Pedro dos Clérigos, que, pela sua localização, proporciona ao visitante a mais bela vista da cidade. A construção é de 1752 e, embora inacabada, mantém em sua fachada uma característica revolucionária para o século 18, que é o plano barroco em redondo. O que resta do altar-mor, talhado em cedro, e do teto do batistério é uma prova de que, se concluído, o templo seria majestoso. Descendo a ladeira, o turista vai ao encontro, já no centro de Mariana, de um dos mais completos conjuntos arquitetônicos do País, composto por quatro monumentos, localizados na Praça Minas Gerais. De um lado está a Casa de Câmara e Cadeia, um prédio público de dois pavimentos, cuja aparência lembra muitas quintas nobres de Portugal, devido às escadarias externas com parapeitos maciços, faixas e corrimão em pedra sabão. Planejado e executado pelo projetista José Pereira Arouca, construtor de quase toda Mariana, o prédio funcionava, ao mesmo tempo, como câmara municipal, casa de julgamento e prisão (onde eram confinados os criminosos da época), hospital e capela. Até hoje, o lugar conserva em sua fachada um relógio que sempre marca 9h, horário em que algum prisioneiro era levado ao pelourinho, do outro lado da praça, para sofrer castigos físicos que serviam de exemplo para a população local. O pelourinho, demolido com o final da escravidão, reconstruído posteriormente em pedra sabão e restaurado na década de 70, é uma das duas únicas peças originais do tipo do Brasil. A outra encontra-se em Alcântara, no Maranhão. Fazem parte, ainda, do acervo da praça Minas Gerais, as igrejas de Nossa Senhora do Carmo e a de São Francisco de Assis, construídas de maneira perpendicular, bem próximas uma da outra. Os templos são o resultado da disputa de poder entre as duas ordens que representavam as maiores forças religiosas do século 18. O mais rico deles, o de São Francisco, levou mais de trinta anos para ser inaugurado, tendo sido construído por Arouca e pintado por vários artistas de renome, destacando-se Manoel da Costa Ataíde e Francisco Xavier Carneiro. O medalhão da portada, em pedra sabão, é atribuído a Aleijadinho. Os lustres, do século 18, são de cristal da Boêmia e foram adaptados para funcionar com lâmpadas elétricas. A igreja tem, no teto, pinturas que estampam o dilúvio e a arca de Noé, além dos quatro papas que colaboraram com a Ordem Terceira de São Francisco de Assis. No chão, números que se referem aos túmulos onde eram enterrados os irmãos franciscanos. Na tampa 94 estão os restos mortais do mestre Ataíde. Já a Igreja do Carmo ocupa um lugar especial no panorama da arquitetura colonial mineira, destacando-se pela beleza e soberania expressas nas duas torres cilíndricas e na fachada em estilo rococó, de linhas rebuscadas. Uma das mais antigas de Mariana, a igreja encontra-se em processo de restauração, por conta de um incêndio ocorrido em janeiro do ano passado, que consumiu boa parte do piso de madeira, os dois altares laterais e todo o telhado, além do forro, onde havia uma pintura de Francisco Xavier Carneiro. A ação das chamas não alcançou, contudo, o altar-mor, que permaneu intacto. * A repórter viajou a convite da Luck Turismo, Rede Accord, Vasp e Localiza |
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