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MARIANA II
Igrejas e museus guardam o passado local

Depois de visitar a Igreja do Carmo, é a vez de contemplar o casario da Rua Direita, onde encontra-se a antiga residência do Barão de Pontal, um sobrado histórico em alvenaria de pedra, que possui sete portas no pavimento térreo e, no superior, quatro sacadas singulares, feitas com balcões esculpidos e vazados em espessos blocos de pedra sabão.

Também é ali que fica a Casa Setecentista, em estilo colonial, que guarda coleções de preciosos documentos dos séculos 18 e 19. Chama atenção, ainda, na Rua Direita, a casa que pertenceu ao poeta simbolista Alphonsus de Guimaraens, onde hoje está instalado o museu que guarda inúmeros dos seus pertences.

Mais à frente encontra-se a praça central da cidade, a Cláudio Manoel da Costa, assim batizada em homenagem ao poeta arcadista que morava numa casa localizada de frente para ela. No local, está a Catedral Basílica da Sé, tida como um dos mais belos monumentos religiosos do Brasil colonial.

Trabalhada por dois grandes vultos da arte barroca, José Pereira Arouca e Manoel Francisco Lisboa (pai de Aleijadinho), a igreja mostra, em seu interior, lindos altares em madeira, habilmente construídos e cobertos de ouro fosco e brunido. No batistério, além dos retábulos da primeira fase do barroco, há uma tela do pintor Ataíde, que causou polêmica no século 18, por trazer as figuras de São João Batista e Cristo, na cena do batismo no Rio Jordão, com corpos femininos.

No altar-mor, a suntuosidade se reflete na imagem de Nossa Senhora do Carmo, com o manto português bordado a ouro. Em sua nave, destacam-se os camarotes laterais, onde apenas os senhores de poder e prestígio tinham o privilégio de ficar durante as cerimônias, bem como a imagem de Nosso Senhor dos Passos, com 380 pedras preciosas distribuídas pelo corpo.

Outro bem inestimável da Sé é o órgão Schnitger, de fabricação alemã, com 969 flautas, 24 registros e dois teclados. Semelhantes a ele, existem apenas outros 40 no mundo, dos quais somente 20 ainda mantêm grande porcentagem do mecanismo original, como o de Mariana. Atualmente, são realizados, no local, recitais todas as sextas, às 11h, e aos sábados, às 12h15, com a organista titular Elisa Freixo.

PASSADO – Vale a pena incluir, ainda, entre os pontos do roteiro de visita a Mariana, o Museu Arquidiocesano e o da Música, monumentos de grande valor artístico. O primeiro, fundado na década de 60 em comemoração ao bicentenário de Ataíde, possui cerca de duas mil peças sacras, sendo a mais valiosa um relicário de ouro com 168 brilhantes.

O acervo conta, também, com imagens portuguesas, trabalhos em pedra sabão e jacarandá, pinturas de Ataíde, louças chinesas, jarras de porcelana, alfais de ouro e prata, objetos dos antigos bispos e ambientes completos do século 18.

O Museu da Música, por sua vez, é o único do gênero no Brasil, atualmente com uma respeitável coleção, que inclui peças doadas pelo Arquivo Eclesiástico da Cúria Metropolitana e várias outras, doadas ou adquiridas, que se dividem em três áreas: canto gregoriano, manuscritos de autores mineiros dos séculos 18 e 19 e peças de bandas de música dos séculos 19 e 20. (M.D.)

Serviço

Todas as igrejas, assim como o Museu Arquidiocesano e o da Música, estão abertas de terça a domingo, das 9h às 17h, com exceção da Igreja do Carmo, em restauração, e do Museu Alphonsus de Guimaraes, que funciona das 8h às 12h. Sempre é bom ter um trocado na carteira porque, geralmente, é preciso desembolsar entre R$ 1 e R$ 3 para ter acesso a esses lugares.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.07.2000
Quinta-feira