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CENTRO HISTÓRICO
O Rio de Janeiro que poucos exploram

Há cidades que passam anos sendo admiradas e visitadas apenas por algumas das suas atrações, como se nada houvesse além dos ícones que as tornaram famosas. Até que algumas pessoas se permitem descobrir algo mais. E terminam gostando do que vêem. É isso o que acontece com aqueles que vão ao Rio de Janeiro e resolvem conhecer, além das belas praias e dos animados botecos, além do Carnaval e das belas mulatas, além dos grandiosos sambistas e seus históricos morros, o lugar onde tudo começou: o centro histórico da cidade.

Concentrado em algumas ruas em torno da Praça XV, o chamado corredor cultural pode ser percorrido a pé. O roteiro, formado por prédios históricos transformados em espaços culturais, ajuda a compor o perfil da cidade e resgata o passado do país como um todo, guardando importantes passagens da história nacional.

Quatro pilares compõem o programa: o Paço Imperial, a Casa França-Brasil, o Centro Cultural Banco do Brasil e o Espaço Cultural dos Correios. O primeiro é o que mais impressiona. Não pelas instalações, mas pela história que guarda. Foi no Paço Imperial que a Princesa Isabel assinou a tão esperada Lei Áurea, no ano de 1888, acabando oficialmente com a escravidão. Quem diria que o lugar era utilizado, a princípio, como armazém...

Pois foi esse a primeira função do prédio, localizado nas proximidades do porto. Em 1743 é que ele ganhou um outro status, passando por uma grande reforma e tornando-se a Casa dos Governadores. Vinte anos depois, passou a Palácio dos Vice-Reis, até ser promovido a sede administrativa do Reino Unido do Brasil, Portugal e Algarves, em 1808, ganhando o nome de Paço Real.

Não durou muito como tal, passando a ser utilizado principalmente para as grandes cerimônias do beija-mão. Com a declaração da Independência, em 1822, passou a ser chamado Paço Imperial, sendo cenário de acontecimentos históricos como o Dia do Fico. Depois de proclamada a República, em 1889, o lugar tornou-se sede do Departamento de Correios e Telégrafos.

Hoje, tombado como Patrimônio Histórico e elevado a Centro Cultural Paço Imperial, revive o charme de outrora, abrigando salas de exposição, restaurantes, cinema, lojas, biblioteca e café. Nas terças-feiras, sempre a partir das 19h, apresenta uma atração a mais: muito música através do projeto Samba e Choro no Paço.

Apenas alguns metros adiante, entre as estreitas ruas do centro, encontra-se outro valioso registro do passado brasileiro, o prédio do Centro Cultural Banco do Brasil. A imponente construção de 1924, projetada pra abrigar a Associação Comercial do Rio de Janeiro, hoje sedia mostras nacionais e internacionais.

São oito salas de exposição, uma biblioteca com 140 mil volumes, três teatros, um cinema, uma sala de vídeo, restaurante, sala de chá, dois auditórios, uma livraria e uma sala para atividades infantis. O prédio por si só já vale uma visita, trazendo de volta o glamour dos velhos tempos com suas escadarias e piso em mármore, aliados à nostálgica cúpula em formato de esfera no centro do pátio de entrada.

Quem puder visitá-lo até o dia 27 de agosto vai conferir o projeto MPB - A História de um Século, que apresenta instrumentos de artistas como Chiquinha Gonzaga, Pixinguinha, Cazuza e Marisa Monte, entre outras celebridades da música brasileira.

Até esta mesma data uma outra exposição de peso compõe o jogo passado x presente que hoje caracteriza o centro histórico do Rio. Ali pertinho, um mito contemporâneo das artes plásticas mostra suas obras num tradicional endereço carioca. O local: Casa França-Brasil. O artista: Francisco Brennand.

Inaugurado em 1820, o prédio que abriga a instituição cultural é considerado o mais importante exemplo da arquitetura neoclássica no Rio de Janeiro. Foi Praça de Comércio, Alfândega e Tribunal do Júri, tornando-se sede da Casa França-Brasil em 1990. Como os demais pontos do corredor cultural, o espaço reúne salas de exposição, sala de vídeo, cinema e café, apresentando uma diversificada programação.

Igualmente movimentado por eventos culturais e artísticos é o Espaço Cultural dos Correios, instalado numa nostálgica construção do início do século. Uma galeria, um teatro, uma sala de vídeo e dez salas de exposição completam a estrutura disponível para as mostras de arte e outras atividades promovidas no espaço.

Serviço

Para obter mais informações sobre o corredor cultural, entre em contato com a Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (Riotur). F. (21) 217.7575. E-mail: riotur.riotur@pcrj.rj.gov.br. Endereços eletrônicos: www.rio.rj.gov.br/riotur e www.riodejaneiro-turismo.com.br

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Jornal do Commercio
Recife - 20.07.2000
Quinta-feira