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AVANÇO NOS ESTUDOS
Vírus HTLV II é alvo dos pesquisadores

por Adriana Ferreira
Agência Estado

RIO – Pesquisadores do Departamento de Genética do Instituto Oswaldo Cruz estão empenhados em realizar o seqüenciamento do vírus HTLV II, para descobrir se ele pode ser o causador de doenças neurológicas e hematológicas, entre outras coisas. Na literatura mundial há apenas 14 casos de doenças neurológicas associadas ao HTLV II, algo ainda considerado insuficiente para provar a verdadeira ação do vírus. Até agora, os pesquisadores já conseguiram seqüenciar 20% do HTLV II.

Um caso raro, ocorrido este ano, no Rio, chamou a atenção de estudiosos do Oswaldo Cruz e pode ajudar a esclarecer as dúvidas que cercam o assunto. O exame de sangue de uma mulher de 53 anos, que apresenta uma semiparalisia nas pernas e distúrbios urinários, acusou a presença do HTLV II. Com este material nas mãos, os estudiosos vão fazer o seqüenciamento do genoma do vírus da paciente.

DESCOBERTAS – “O que nós queremos descobrir é se há alguma coisa neste vírus que provoca a doença ou se os problemas de saúde se desenvolvem apenas em algumas pessoas, com um sistema imunológico particular”, explica o biólogo Daniel Sá Carvalho, do departamento de Genética do Oswaldo Cruz e com pós-doutorado em Biologia Molecular. Além disso, os pesquisadores querem saber a evolução da HTLV-II no Rio.

Da mesma família do HIV (os retrovírus), o HTLV tem dois subtipos. Segundo Carvalho, ele surgiu há mais de 30 mil anos na África, migrou para a Ásia, para os Estados Unidos até chegar no Brasil. Sabe-se também que cerca de 20% a 30% das populações indígenas, como os caiapós, por exemplo, são contaminadas pelos dois subtipos de vírus e raramente apresentam doenças.

CONTAMINAÇÃO – Segundo o hematologista da Hemo Rio, Edimilson Assunção Silva, que desenvolve projeto de pesquisa sobre o assunto com o Instituto Oswaldo Cruz, já é possível afirmar que 95% dos sorospositivos com HTLV I não terão nenhuma doença associada ao vírus.

“Somente cerca de 2% a 5% dos contaminados terão chances de desenvolver a doença”, explica. “Já o HTLV II, até agora, não vinha sendo associado a patologias”, esclarece.

Assim como o HIV, o HTLV I/II tem os mesmos processos de contaminação: por via sexual, drogas injetáveis, transfusão de sangue e transmissão vertical mãe/filho (na gestação, pelo canal do parto e no aleitamento). A estimativa é que 1% da população brasileira seja atingida pelo vírus, seja do subtipo I ou II.

Os vírus HTLV-1 e HTLV-2 são retrovírus, classe de vírus compostos por RNA e uma capa protéica. O retrovírus mais conhecido é o HIV.

Embora os bancos de sangue façam testes para detectar o HTLV, cientistas dizem que sua disseminação ainda é mal conhecida. Estima-se que entre 0,1% e 1% da população brasileira sejam portadores do HTLV de forma geral. Como no caso da Aids, os distúrbios associados ao HTLV são incuráveis. Apenas os sintomas podem ser tratados, com resultados insatisfatórios.

SINTOMAS – A doença neurológica causada pelo HTLV-2 na paciente do Rio tem sintomas semelhantes aos da esclerose múltipla: a mulher anda com dificuldade, tem incontinência urinária e sente fortes dores no corpo.

Já o HTLV-1 pode provocar leucemia e uma doença chamada paraparesia espástica tropical, que leva à perda de tonicidade muscular e, conseqüentemente, à paralisia. Porém, somente cerca de 5% dos portadores do HTLV-1 desenvolvem alguma complicação. Com o HTLV-2 o porcentual de pessoas que adoecem ainda é um mistério.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.08.2000
Domingo

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