![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
AVANÇO NOS ESTUDOS II Carioca é a primeira a ter a doença RIO Uma carioca de 53 anos é a primeira pessoa do mundo a ter confirmado o diagnóstico de uma doença provocada por um vírus da mesma família que o HIV, o causador da Aids. O vírus é o HTLV-2, que até agora não havia sido comprovadamente associado a uma forma de degeneração neurológica que leva à perda de movimentos e tem sintomas muito semelhantes à esclerose múltipla. O caso foi descoberto por pesquisadores do Departamento de Genética do Instituto Oswaldo Cruz da Fiocruz. Os cientistas agora investigam a possibilidade de o Rio de Janeiro correr o risco de ser atingido por uma nova doença. Não sabemos o porquê de só alguns portadores do HTLV-2 adoecerem. Também não podemos dizer se se trata de um caso isolado ou se a doença pode se propagar devido, por exemplo, ao surgimento de variações mais agressivas do vírus, disse Daniel Sá-Carvalho, um dos autores da descoberta. Ele apresentou essa semana os resultados do estudo no simpósio Molecular Evolution 2000, promovido pela Fiocruz, no Rio. O HTLV-2 se originou entre a população indígena brasileira e estima-se que até 30% de certas tribos de índios da Região Norte sejam portadoras assintomáticas do vírus, isto é, podem transmiti-lo, mas não adoecem. O vírus já foi identificado entre caiapós, araras e tiriós, por exemplo. Como o HIV, o HTLV-2 é transmitido pelo sangue, relações sexuais e amamentação, sendo essa, aparentemente, a principal forma de contágio entre os índios. O vírus pode ser transmitido pelo aleitamento por gerações. Como considerável parte da população do Rio tem antepassados indígenas, o risco de existir um número significativo de portadores na cidade não pode ser descartado. Talvez esse vírus possa se tornar um problema sério de saúde pública, explicou Sá-Carvalho. |
|