
MÚSICA
Canções
produzidas para colar na capa do caderno por Carol Almeida
Já estava demorando.
Depois que as chamadas boy bands americanas, inglesas e
até irlandesas chegaram ao mercado fonográfico
prejudicando as cordas vocais (de tanto gritar) das
adolescentes de todo o mundo, chegou a vez das gravadoras
brasileiras lançarem a versão sem legendas para estes
saudáveis e jovens rapazes. No final do mês passado, as
rádios e TVs começaram a tocar os primeiros sucessos
das duas bandas brasileiras no gênero: KLB e Twister. Ou
seja, na próxima vez que você ligar a TV em um programa
de auditório ou de videoclipes, ou sintonizar uma
estação pop de rádio FM, há uma probabilidade enorme
de se escutar o nome de ao menos um desses dois grupos.
O primeiro, o KLB, é
formado por um trio de irmãos (Kiko, Leandro e Bruno,
daí a sigla) que, ao menos no quesito produção, já
tem tudo para se dar bem e vender a passagem dos meninos
para seus mais de 15 minutos de fama (possivelmente, uns
15 meses se passam e eles já estão na galeria por
onde anda?). O bolso por trás da sigla KLB é do
pai dos rapazes, o Sr. Franco. Com a experiência de já
ter empresariado alguns discos da dupla sertaneja mais em
alta no momento, Zezé di Camargo e Luciano, Franco é
uma influência notada em cada faixa do disco KLB. Os
irmãos cantam baladas que mais parecem músicas
sertanejas e seus hits mais animados são tentativas não
muito bem sucedidas de dar um ar pop ao disco.
Das 13 músicas do CD, 13
falam de amor. As letras são bem parecidas: como estão
começando a carreira, suas mensagens são do tipo
meninos sofrendo de amor e paixão, lembrando
que isso sempre rima com coração, e dessa união nenhum
pouco autêntica partem as melodias. Mas nada que não
seja esperado pelo público consumidor deste tipo de
música: as adolescentes que colecionam fotos de seus
ídolos no guarda-roupa.
A dor desse amor,
carro-chefe do CD, está há um mês na lista de Top 20
do Disk MTV termômetro das 20 bandas de maior
sucesso no momento e já rendeu ao grupo a
aparição em vários programas de auditório nos fins de
semana. Apesar de ter uma proposta explícita de boy
band, os meninos até agora não pretendem dançar em
coreografia. Nossa prioridade é o canto em
harmonia, diz Leandro, o irmão do meio que faz a
voz principal do grupo. Como referências musicais do
KLB, Leandro lista Bee Gees e Os Beatles. E por que falar
de amor? Porque é a linguagem que todo mundo
fala, responde ele.
O
FURACÃO Há bem pouco tempo,
Sander Ewerton Mecca, 17 anos, tocava guitarra em bares
da Grande São Paulo. Seu repertório de covers era
formado por músicas do Pearl Jam, Black Sabath e Iron
Maiden. Depois alguns shows, ele percebeu que aquilo não
era exatamente o meio de vida mais estável e pensou em
algo que vários rapazes de sua idade devem estar
pensando hoje: montar uma boy band. Enquanto procurava
por garotos que pudessem entrar neste novo projeto com
ele, Sander tinha sessões com fonoaudiólogos, fazia
aulas de canto e recuperava-se de uma operação no
nariz. Em alguns meses os colegas foram surgindo:
Luciano, 21, Gilson, 22 e, por último, Leonardo, 18. O
quarteto responde hoje pelo nome de Twister (furacão, em
português) e, dos tempos rock de Sander, só sobraram as
tatuagens nos braços.
Assim como o KLB, o
Twister lançou seu primeiro CD no mês passado e, desde
então, é presença certa no top 20 da MTV. A proposta
do grupo é bastante clara: apesar de todos os
componentes tocarem instrumentos musicais (aliás, alguns
deles dizem que tocam vários), nenhum integrante da
banda pega sequer numa baqueta durante as apresentações
porque todos estão muito ocupados dançando. As
coreografias ainda são muito fracas, passos que qualquer
grupo de meninas faria em uma tarde no playground. As
músicas falam de tudo um pouco, até mesmo de assuntos
pouco usuais em uma boy band: O gosto é doce, o
pó é doce, e é necessária outra visão, diz a
letra da primeira faixa do disco.
As letras são quase todas
escritas Cláudio Rabello, conhecido no meio fonográfico
por fazer versões em português de músicas estrangeiras
(seis das 14 faixas de Twister são versões). 40 Graus
é a música que está tocando hoje nas rádios e traz
rimas infames como ando assim até o fim da street,
e você me olha mais sweet. Também à exemplo do
KLB, o Twister lançou seu primeiro CD por uma grande
gravadora, a Abril Music, e deve começar a se apresentar
pelas capitais do Brasil somente no próximo ano. Até
agora, o alvo são as rádios e TVs. Depois disso, seu
fã-clube (já existe um oficial) começa a divulgar a
agenda de shows dos meninos.
Como eles mesmos dizem na
faixa Everybody (que não é aquela dos Backstreet Boys),
a gente quer um som, O som, não qualquer som!
Viver o que é do bom, é o que eu preciso. Há de
se lembrar que, não somente eles, mas todos precisam de
um bom som, e nem precisa ser Aquele som.
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