
CLÁSSICOS
Grandes
canções para ouvir e relaxar por Marcelo Pereira
Um dos nomes mais
conceituados da bossa nova e responsável por descobrir
talentos afinados com o gênero, como Leila Pinheiro, o
produtor, compositor, violonista e guitarrista Roberto
Menescal está lançando a série Grandes Canções pelo
selo Albatroz. Com distribuição da Eldorado, reúne
quatro discos destinados a um público mais maduro,
chegado a um requinte, que aprecia algo como um bom
scotch whisky 12 anos, de preferência que não seja
vulgar, um vinho de boa cepa, ambientes à luz de vela ou
meia-luz, com deliciosos acepipes ou frugal jantar.
A idéia de Menescal é
simples e ele se vale de músicos e intérpretes
talentosos (a maioria desconhecida do grande público,
principalmente as cantoras). Em compensação, tem às
suas mãos um repertório que faz jus ao rótulo de
clássicos que são o recheio e o tempero do projeto. Os
quatro discos são temáticos e reúnem grandes canções
do cinema, da música americana, do bolero e, claro, da
bossa nova. Uma característica comum em todos eles é a
contenção,. Não há interpretações carregadas
emoção.
Em Clássicos do Cinema,
Menescal conta com a melíflua voz de Cris Delanno.
Acompanhado do piano e do teclado de Luiz Avellar (autor
também dos arranjos) e da bateria com escova de Raymundo
Bittencourt, a dupla repassa um repertório que pode soar
batido abre com Smile, passa por Love letters,
Summer of 42, As time goes by, Love is a many
splendored thing, terminando com Moon river e Over the
rainbow. Menescal preferiu apostar em arranjos
econômicos e valorizar a voz agradável da cantora,
evtiando derramentos e agudos desnecessários.
Menescal mantém o mesmo
espírito em Clássicos Americanos. Gilson Peranzzetta
assume o piano, com Adriano Giffoni no baixo e Barney na
pecussão. Cabe agora a cantora Maria Augusta passear por
clássicos como The shadow of Your smile, All the things
You are, Bod-dy and soul, Speak low, Embraceable You e
Cheek to cheek, entre outros.
De todos, o mais bem
resolvido dos quatro discos é Clássicos da Bossa Nova.
Menescal, além de produzir, arranjar e tocar violão e
guitarra, aparece como compositor em Vai de Vez (parceria
com Lula Freire), e A Volta (com Bôscoli). Com
Peranzetta, Giffoni e agora João Cortez na bateria e
percussão e Astrid no vocal, repassa desde as
obrigatórias Insensatez, Água de Beber, Triste, Sabe
Você e Eu e a Brisa até as não tão badaladas Fim de
Noite (de Chico Feitosa e Bôscoli) e Nada Mais (de
Durval Ferreira e Lula Freire).
Clássicos do Bolero é o
quarto disco da série e remete imediatamente à
dor-de-cotovelo, à fossa e ao Beco das Garrafas, no Rio
de Janeiro, onde ficavam as boates e bares que marcaram a
boemia carioca dos anos 50/60. Menescal entregou os
vocais ao grupo Nós e Voz (Ernani Maletta, Gláucia
Quites, Maurílio Rocha e Valéria Braga e Marcinho
SantAnna. também arranjador).
Românticos à moda antiga
se embalarão ao som dos sucessos cantados no original em
espanhol. Conjuntos vocal no estilo tradicional, abrindo
espaço para solos, o Nós e Voz convida a bailar e a
cantar Besame mucho ( destaque para trumpete de
Barrozinho), Tu me acostumbraste, Sabor a Mi, El Reloj (a
orginal, que, vertida para o português, é um dos
sucessos de Adilson Ramos), Aquellos ojos verdes, Frenesi
e Esta tarde vi llover. Em alguns momentos, no entanto,
falta um pouco de calor às interpretações.
Em mãos erradas, dirão
que são discos caretas. Sim, são. Mas há bom
gosto para tudo.
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