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SAÚDE III
Há 1 ano, desempregado costuma beber e vender ficha na calçada

Desempregado há três anos, José Francisco de Lima Filho, 33 anos, está morando há um deles, praticamente, na calçada do Hospital Geral de Areias. Diz que não concorda com a venda de vagas para pegar ficha, prática comum entre os outros companheiros de ‘guarita’. Nega ser um deles, mas, ao longo de uma conversa e já bastante alcoolizado ao amanhecer, acaba confessando uma de suas fontes de renda.

“Eu era ajudante de pedreiro. Hoje, procuro biscates, mas até isso está difícil. Não faço como os outros, que cobram até R$ 20 pela vaga. Eu aceito qualquer coisa”, diz ele. De vez em quando, vai à casa da mãe, no bairro de Jardim São Paulo.

Na manhã da segunda-feira (14), ele conseguiu menos de R$ 5 e uma banana, doada por uma paciente que levou a fruta para amenizar a fome durante a espera até que o HGA abrisse as portas. “Preciso de um trocado para o café, o cigarro e a bebida, que não vou negar que preciso dela”, explica. “Foi uma ‘tia’ legal que me deu a ajuda”, diz.

Ele é o único que admite o que faz na porta do hospital. Os outros, várias mulheres entre eles, procuram se esconder. Um deles, ao ver as fotografias sendo feitas, veio perguntar do que se tratava. Explicou que esperava o dentista. Em poucos minutos, descalço, já estava por entre os pacientes, oferecendo uma vaga privilegiada para a especialidade. Era o dono do segundo lugar na fila.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.08.2000
Domingo