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CONTRAMÃO II
Santo Antônio já amarga decadência

Arnaldo Maciel, tabelião do tradicional cartório da Rua Siqueira Campos, não tem dúvidas de que a médio prazo haverá uma reformulação no quadro de cartórios do centro. “Com a saída do fórum, o movimento de pessoas vai diminuir na região e há muito tempo os escritórios estão se deslocando. Se a prefeitura não se preocupar, Santo Antônio vai virar o novo Recife Velho”, declara.

Funcionando desde 1915 no mesmo endereço, o Cartório Arnaldo Maciel atende uma média de 500 pessoas por dia, para autenticação de documentos, reconhecimento de firmas e outros serviços. O tabelião acredita que sentirá a queda no movimento logo no primeiro mês de funcionamento do novo fórum. No entanto, ele ainda não tem planos de sair do bairro.

“Vou esperar a orientação da Corregedoria Geral do Estado, que fiscaliza a atividade dos cartórios extra-judiciais”. Terceiro titular do estabelecimento, Arnaldo Maciel afirma que não foi por acaso que os cartórios do Recife se fixaram em volta do Palácio da Justiça e do fórum. “A proximidade permite uma maior assistência à Justiça e ao público, além de facilitar a fiscalização”.

O tabelião crê na tendência de redistribuição dos cartórios pelos bairros, ao invés de uma nova concentração na Ilha Joana Bezerra. Luís Gustavo de Andrade e Carlos Roma, tabeliões dos cartórios Paulo Guerra e João Roma, respectivamente, têm opiniões contrárias. Eles garantem que a mudança do fórum não terá nenhum impacto na rotina dos cartórios extra-judiciais.

REFLEXOS – Comerciantes da Rua Frei Vicente do Salvador, ao lado do Palácio da Justiça, já amargam reflexos negativos. “A saída do fórum quebrou a gente. O movimento da copiadora caiu pela metade”, contabiliza Honório Araújo de Melo. “Trabalhamos em função do fórum e do Tribunal, fazíamos até 1.500 cópias de processos por dia”, completa Paulo Galdino da Silva.

Funcionário do Salão São Francisco, na mesma rua, Geraldo Oliveira dos Santos acrescenta que se o movimento continuar fraco, o salão será transferido para outro lugar. “Estamos aqui há 35 anos e a cada dia o bairro está mais vazio. Saíram os consulados do Japão e de Portugal, escritórios e agora o fórum. Quando o principal vai embora, tudo zera”.

Os advogados Bráulio Lacerda e Célio Avelino não têm planos de abandonar o bairro de Santo Antônio, como fez o grupo de Aluísio Times. “Continuo relativamente próximo do fórum e para saber o andamento do processo não preciso ir até lá, basta consultar pela Internet”, diz Célio Avelino.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.08.2000
Domingo