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DILEMA A árdua tarefa de conciliar estudo e trabalho por Margarida Azevedo Conciliar trabalho com faculdade nem sempre é uma tarefa fácil. Mais complicado ainda é escolher um curso e constatar que ele não é oferecido à noite. Nesses casos, só há duas saídas: desistir da opção e se adequar a uma graduação que ofereça aula no período noturno ou abandonar o emprego e se dedicar ao curso universitário. As duas maiores universidades do Estado - Federal e Federal Rural de Pernambuco garantem que fazem o que podem para atender às necessidades deste público, mas dizem que muitas vezes não há como modificar o horário dos cursos devido às aulas práticas. Apesar de sonhar em ser médica veterinária, a recepcionista Andréia Amorim, 31 anos, inscreveu-se no vestibular para o curso de Administração de Empresas. Infelizmente não dá para deixar de trabalhar. Cinco pessoas dependem do salário que ganho, comenta. Decidi então tentar Administração, pois são oferecidas turmas à noite e o curso tem a ver com meu emprego. Estou me dedicando bastante. Aproveito para estudar na hora do almoço e ainda reviso alguns assuntos quando chego em casa. Andréia garante, no entanto, que não vai desistir de Veterinária. Não importa quando, mas algum dia vou realizar esse sonho. Diferentemente de Andréia, a auxiliar de contabilidade Azenaide Carneiro da Silva, 22, não precisa sustentar outras pessoas, mas tem que pagar o aluguel do apartamento que divide com dois irmãos. Candidata ao curso de Publicidade, antes mesmo de ser aprovada, ela já sabe que não terá condições de continuar no mesmo emprego. O jeito vai ser pedir demissão. Prefiro investir agora num curso superior. De qualquer maneira, vou tentar conseguir uma vaga nessas lojas de shopping, onde o horário é mais flexível, diz Azenaide. O balconista Valter Souza, 24, também já decidiu. Se seu nome estiver no listão de aprovados em Jornalismo da UFPE, ele vai deixar o emprego. Vou tentar adequar o horários das aulas num novo trabalho. Mas acredito que será mais complicado somente no primeiro período, pois é a faculdade que estipula as disciplinas. Depois, acho que dará para combinar as duas coisas, acredita Valter. A universidade é muito elitista, pois deixa o aluno trabalhador de fora de muitos cursos. Só quem é sustentado pela família pode se dar o luxo de não trabalhar. Colegas de classe, Conceição Trindade, 20, Ednaldo Francisco, 22, e Maria da Conceição Santos, 23, sabem que poderão se arrepender depois por não terem escolhido o curso que gostam, mas dizem que não há outra saída. A situação financeira é difícil para todo mundo. A gente tem que se qualificar de alguma forma, mesmo que coloque nossa satisfação em jogo, lamenta Conceição, que trabalha como secretária Se fosse por vocação, queria ser nutricionista, mas o curso não existe à noite. Ainda não sei em qual curso vou me inscrever, conta. Maria da Conceição vai trocar Engenharia Civil por Licenciatura em Biologia. Um curso não tem nada a ver com o outro, mas não tenho escolha. Trabalho numa agência de viagens e sei que não adianta negociar com os chefes. É mais fácil contratar outra pessoa, diz a estudante. Faço desenhos em um escritório de arquitetura e adoraria ser aprovado no curso de Desenho Industrial. Como é diurno, vou fazer Biologia. Pelo menos é uma matéria de que gosto, comenta Ednaldo Franciso. OPINIÃO - O professor de biologia do Colégio 2001 Roberto Melo acredita que a maioria dos estudantes que freqüenta cursinhos à noite opta por cursos no vestibular que não são muito concorridos. Por não terem tempo de estudar durante o dia eles não se acham preparados para serem aprovados naqueles cursos onde a concorrência é alta. Por isso, a escolha recai muitas vezes na área de humanas, que oferece turmas à noite, observa o professor. Mas quando acontece de um candidato, mesmo tendo que trabalhar, ser aprovado num curso bastante procurado, ele decide deixar o emprego e investe no estudo. |
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