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Cachorro romeno atira para matar Curioso como o brasileiro tem uma queda pelo canalha. Não tô citando Nelson Rodrigues, que se não inventou a palavra, fê-la (opps!!)uma de suas marcas registradas. Digo isto pela quantidade de leitores que vive querendo saber de Flamígio, o sarará gente fina, ma non troppo, que nos fia o precioso líquido à beira do Atlântico Sul. Para os não-assíduos a estas mal-tecladas, Flama abandonou a profissão de kombeiro e voltou a embriagar banhistas em Boa Viagem, em sociedade com Galdino, verdadeiro cordon bleu do caldinho de mocotó, do sarapatel, do arrumadinho, e da coxinha de galinha de soja, e outros inomináveis acepipes. Coincidentemente, desde que Flamígio voltou ao comércio litorâneo não pára de chover. O sarará é por demais místico, e de imediato atribuiu a enxurrada a um trabalho feito pela sua sogra, dona Engrácia e pela patroa, dona Generosa. Ambas estão por aqui com ele. A sogra pelo simples fato de tê-lo como genro,(o que convenhamos é motivo bastante para se apelar para a pistolagem). Quanto à dona encrenca sua ira deve-se a Flamígio não vir cumprindo os deveres maritais de acordo com sua famigerada capacidade de acasalamento, notória em todo o aprazível bairro do Ibura, e adjacências. Não sei se já comentei aqui, mas o sarará tem um pantagruélico apetite fescenino, não é exagero afirmar que ele é de humilhar o Viagra. Aliás, falando na pílula elevatória, Flamígio diz que só pensa em usá-la quando tiver aí pelos noventa anos: Mas não é pra quengar não - explica - é só preu não fazer xixi nos pés. Pois, contou-nos o sacripanta, que uns três meses atrás, chegou em casa cheio dos quequéus, pegou dona Generosa no solo, atirou-a ao solo e a fez mulher por cinco vezes ininterruptas. Não sentindo firmeza no amásio, que fracassou na sexta investida, a cara-metade incorporou um cabôco tranca-rua, e quase lhe quebra a metade da cara. Enxotou o sarará pro sofá e acusou peremptória: Tás saindo com mulher na rua, né, nojento? Mas deixemos de canalhices, e tergiversemos sobre assuntos mais amenos e menos íntimos. Comentávamos na estabelecimento praiano de Flamígio e Galdino sobre uma notícia vinda da Romênia, cuja manchete bradava em letras garrafais: Mulher É Ferida a Bala por Cachorro. Lembrou-me uma outra dos anos 60, num jornal carioca: Cachorro Ofende a Moça. Neste caso aí, a moça havia comido um cachorro-quente e o bicho lhe fez mal. Mas no caso do cachorro romeno, foi bala, mesmo, de fuzil. Ele acertou uma turista da Moldávia que passeava pela Romênia, torrão natal do Billy the Kid canino. Mas pensando bem, se o caso sucedeu-se na Romênia, não é pra provocar tanto espanto. Afinal de um País que já deu um Conde Drácula, pode-se esperar qualquer coisa, até cachorro bom de gatilho. Quem sabe ele não vira atração nas próximas Olimpíadas, na equipe de tiro ao alvo romena? e-mail: teles@jc.com.br |
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