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CELACANTO Cientistas acham fóssil de peixe no Araripe por Verônica Falcão O celacanto, um peixe que mudou muito pouco ao longo de sua evolução, viveu no Nordeste quando o Sertão era mar. Fósseis do animal foram encontrados na Chapada do Araripe por pesquisadores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). De acordo com paleontólogo Paulo Brito, duas espécies de celacanto habitaram o local no Cretáceo inferior, há cerca de 110 milhões de anos. Os fósseis estão em ótimo estado de conservação. Encontramos quase todos os complexos anatômicos preservados e articulados, como quando o peixe estava vivo, explica o pesquisador. A equipe chegou a verificar uma bexiga natatória ossificada que é exclusiva dos celacantos da Chapada. Para Paulo Brito, estudar a evolução dos celacantos é entender a própria evolução do homem. Eles pertencerem a um grupo tão próximo a nós, os tetrápodas (do qual o homem faz parte), e ao mesmo tempo estão tão longe, já que permaneceram na forma de peixe, justifica o pesquisador. Ele considera o celacanto um primo distante que em algum ponto do passado teve ligações familiares conosco. Por isso eles podem conter respostas sobre algumas de nossas dúvidas a respeito de nossa própria evolução. Embora as espécies encontradas na Chapada do Cariri Mawsonia gigas e Axelrodichthys araripensis sejam de uma linhagem diferente do celacanto atual, anatomicamente o grupo é muito parecido. Por isso podemos checar nos fósseis do Nordeste muitas características encontradas e descritas na forma atual, afirma Paulo Brito. Outro desdobramento da pesquisa está relacionado à biogeografia. A partir deles podemos descobrir mais sobre as ligações entre o Brasil e a África no passado (os dois continentes já forma um só, chamado de Pangea). AMEAÇAS Não são apenas os últimos celacantos vivos da África e Indonésia que sofrem ameaças. Os fósseis do peixes, encontrados na Chapada do Araripe desde a década de 80, também estão diminuindo. E o pior: em vez de para nas mãos de pesquisadores seu destino são as coleções particulares e de museus. Embora as leis brasileiras que proíbem a comercialização do material fossilífero datem da década de 40, até hoje existe tráfico. Mas, graças a um esforço conjunto entre várias instituições, tem diminuído, diz Paulo Brito. Segundo ele, o trabalho do Departamento nacional de Produção Mineral (DNPM) e a Universidade Regional do Cariri (Urca), no Crato, desenvolvido na região do Cariri tem conseguido reduzir a perda de material para o exterior e oferecer infra-estrutura para pesquisadores trabalharem. Um dos celacantos retirados da Chapada do Araripe, conhecida nos meio paleontológico internacional como Santana Formation, está no Museu Nacional de História Natural dos EUA, em Washington (http://www.amnh.org/Exhibition/Expedition/ Treasures/Coelacanth/coelacan.html ). |
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