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PESQUISA
A mulher é como uma deusa grega

por Monalisa Silva
Agência Brasil

Conhecer a alma feminina e contribuir para que a mulher possa desenvolver-se por completo são os objetivos da psicóloga Marcia Portazio com sua tese de mestrado pela Universidade de São Paulo (USP) intitulada "Construção de um instrumento de medida para a identificação de determinados padrões arquetípicos no comportamento feminino". O estudo, desenvolvido há três anos, foi apresentado no mês passado e pode se transformar em livro.

A pesquisa realizada com 224 mulheres se caracteriza pela montagem de um instrumento capaz de explicar o comportamento feminino com base na personalidade de sete deusas gregas: Atená, Coré, Deméter, Afrodite, Perséfone, Ártemis e Hera.

Para a pesquisa não houve planejamento da amostra, todavia, a maioria das mulheres entrevistadas é de São Paulo, pertencente à classe média e à faixa etária dos 17 aos 55 anos. Para coletar dados, a psicóloga entrevistou inicialmente algumas mulheres, permitindo que elas falassem, espontaneamente, sobre aspectos importantes de suas vidas.

A partir dessa "enquete", Márcia formulou uma espécie de questionário, que foi respondido pelas 224 mulheres. Nele constavam dez frases relacionadas às características de cada uma das sete deusas gregas. Para cada frase, a entrevistada deveria atribuir uma pontuação que variava de zero a três, de acordo com o grau de identificação com os aspectos destacados das divindades gregas.

Com o levantamento em mãos, e a ajuda do Departamento de Matemática da USP, foi feita a tabulação das informações e a classificação dos tipos arquetípicos mais presentes na personalidade das mulheres que participaram da pesquisa. Assim, Marcia concluiu quais os mais freqüentes na sociedade moderna.

Atená foi o padrão arquetípico dominante, segundo os dados do trabalho. A predominância desse tipo psicológico é atribuída por Marcia ao fato de a pesquisa ter sido realizada em São Paulo, cidade onde as mulheres têm maior acesso à informação e aos estudos. O segundo padrão encontrado com maior freqüência foi Coré, seguido por Deméter e Afrodite, ambas com a mesma pontuação, além de Perséfone, Ártemis e Hera.

A psicóloga ressalta, no entanto, que essas características não aparecem isoladas no comportamento. Existe um ou outro que se destaca, mas as mulheres apresentam, em nível inconsciente, todos os arquétipos. A forma como eles se manifestam depende de sua história de vida e seu tipo psicológico.

Marcia afirma ainda que é preciso aprender a desenvolver todos eles. “A polarização é bastante negativa. A partir da pesquisa, a mulher poderá escolher conscientemente o que quer para si. Perceberá quais anseios tem deixado de lado porque a sociedade exige muito dela. A mulher deve ser uma esposa perfeita, dona de casa, mãe, amante e trabalhar fora, o que acaba levando à necessidade de fazer escolhas. Conseqüentemente, alguns aspectos da sua psiqué acabam sendo negligenciados”, reforça a psicóloga.

Os arquétipos são estruturas básicas do comportamento que constituem a maneira de ser, sentir e comportar-se da pessoa. De acordo com a Psicologia Analítica de Carl Gustavo Jung, eles são elementos estruturais e formadores do inconsciente que dão origem a fantasias individuais e à mitologia de um povo.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.08.2000
Domingo