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BR-232 População desconhece como será indenizada por Patricia Bandeira de Melo Quem costuma visitar o Agreste principalmente no período junino deve conhecer o antigo Restaurante Água de Coco. Às margens da BR-232, na Encruzilhada de São João, em Bezerros, está um dos pontos mais tradicionais de alimentação que deverá dar lugar à rodovia. Com as desapropriações para a duplicação da BR, comerciantes e moradores das proximidades da estrada ainda não sabem como serão indenizados. A ampliação, que se inicia amanhã, será a maior obra rodoviária em andamento no País, com 133,2 quilômetros. Tivemos uma reunião em Bezerros com todos os prefeitos dos municípios que ficam próximos à 232. Disseram que receberíamos um aviso de que seríamos indenizados, mas até agora não sabemos de nada, informou um dos proprietários do Restaurante Água de Coco, Nelson de Melo Filho. O estabelecimento funciona há 40 anos no local. Tenho medo de perder a clientela com a mudança de lugar. Estou um pouco apreensivo, admitiu. Todos os dias, o assunto é tema de conversa no restaurante entre os moradores da Encruzilhada de São João. Um engenheiro veio uma vez aqui e disse que iria haver desapropriação, mas não sei quanto vou receber, afirmou o dono do Artezanato (sic) São João, o artesão e comerciante Ricardo Jorge de Souza. O negócio, com 36 anos, é mais velho que seu dono. Há 20 anos trabalho com artesanato e moro aqui desde que nasci, há 34 anos. Não sei se quando construir o ponto em outro lugar vai dar certo. O Governo do Estado tem que ver isso quando indenizar a gente. A dona de casa Maria do Socorro Souza, porém, está otimista. Não estou preocupada. Acho que vamos ser beneficiados. O Governo vai amparar o povo. Proprietária de duas casas à beira da BR-232, Maria do Socorro vive na Encruzilhada há 36 anos. Quando a costureira Maria Bernardo da Silva, 44 anos, chegou em casa já encontrou as marcações com tinta e estaca no terreno e na parede de sua residência. Morando há quatro anos em Bonança, ela não sabe se sua casa será derrubada. O importante é ter o dinheiro para comprar outra. Também o agricultor José Antônio de Lima, 65 anos, está com sua residência, às margens da rodovia, marcada com tinta. Se pagarem por ela, acho bom. Em Vitória de Santo Antão, na comunidade de Dois Leões, as marcações da passagem da duplicação vêm por dentro, encontrando-se com a pista já existente. Também lá os moradores não sabem se haverá desapropriação. PREPARATIVOS Ao longo da 232, tudo já está se arrumando para o começo da obra. O canteiro de obras da Construtora Queiroz Galvão começa a se formar na altura de Bonança. Em Vitória, funcionários da mesma empresa já estavam no acostamento, sexta-feira, fazendo medições. A ampliação da BR, com conclusão prevista para dezembro de 2002, é urgente. A rodovia está saturada e precisa ser recuperada. Uma viagem até Caruaru mostra a realidade atual: sinalização precária, falta de iluminação, buracos e engarrafamentos. |
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