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INDÚSTRIA
Novos tempos no setor têxtil

Depois de anos de crise, a indústria têxtil de Pernambuco apresentou o maior índice de crescimento registrado pelo setor no Brasil nos últimos seis meses. As fábricas já aumentaram a sua produção e têm planos de expansão, que deverão gerar mais empregos. O setor voltou a ter fôlego após a desvalorização do real, em janeiro de 99, pois o aumento do dólar fez diminuir bastante a concorrência da indústria local com os tecidos fabricados no exterior.

por Angela Fernanda Belfort

A produção da indústria têxtil pernambucana apresentou um crescimento de 29,7% no primeiro semestre de 2000, comparando com o mesmo período do ano passado. As informações são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Essa foi a maior taxa de aumento registrada pelo setor em todo o Brasil”, afirmou o economista do Departamento de Indústria do IBGE, Paulo Gonzaga.

As fábricas do setor geraram 350 novas vagas de trabalho no mesmo período em todo o Estado. “Esses são empregos definitivos, porque as empresas já estão utilizando equipamentos modernos”, disse o presidente do Sindicato da Indústria Têxtil de Pernambuco, Oscar Rache Ferreira, acrescentando que isso só não acontecerá se a economia der uma “marcha ré”.

As vendas do setor também aumentaram 10%. “Esse crescimento foi muito bom e é mais do que o dobro do incremento que a economia brasileira vem registrando no mesmo período”, comentou Rache.

A performance da indústria têxtil está ligada quase sempre ao desempenho da economia, mas outros fatores também contribuiram para essa recuperação. Promovido pelo Governo Federal em janeiro do ano passado, o ajuste cambial foi um deles e fez com que as importações ficassem mais caras devido à alta do dólar. Isso provocou uma diminuição da concorrência com o produto têxtil estrangeiro.

No parque fabril pernambucano, as fábricas do setor estão operando entre 85% e 90% da sua capacidade total. Em algumas delas, já existem quatro turnos trabalhando, de domingo a domingo. A expectativa dos empresários é de que o segundo semestre seja melhor do que o primeiro. Tradicionalmente, a indústria registra uma maior quantidade de vendas entre julho e outubro.

Algumas empresas do setor estão planejando expansões, como é o caso da Fiação Águas Belas S.A. (Fiabesa) e da Fiação e Tecelagem São José. Ambas aumentaram a sua produção e pretendem crescer mais ainda nos próximos dois anos. Até unidades que se encontravam paralisadas estão retomando a produção.

EMPREGOS – “O aquecimento do setor é muito bom e vai gerar mais empregos”, argumentou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Fiação e Tecelagem de Recife, Camaragibe, São Lourenço da Mata, Timbaúba, Cabo, Jaboatão e Olinda, Jorge Mário de Souza. Somente nestes municípios, as empresas do setor geraram 180 novas vagas.

Na década de 90, foram fechadas mais de 8 mil vagas de trabalho no setor têxtil somente em Pernambuco. As demissões ocorreram também em função da modernização das fábricas, que passaram a utilizar máquinas mais modernas e que necessitam de uma quantidade menor de trabalhadores.

Há dois anos como funcionária da Fiação e Tecelagem São José, a tecelã Roseane Arante Maciel afirmou que o crescimento do setor têxtil é muito bom, porque além de gerar novas vagas, “mantem o emprego das pessoas que já estão no batente”.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.08.2000
Domingo