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Trocar serviço por dinheiro pode ser legal

Em várias partes do mundo, alguns jovens recebem sua mesada em troca de pequenos serviços domésticos, tais como dar o banho no cachorro da família. Por aqui, parece que a moda ainda não pegou. Contudo, essa é uma das dúvidas mais frequentes dos pais na hora de decidir dar uma mesada: deve-se associar o seu ganho à execução de tarefas em casa? O receio deles é compreensível. Alguns temem que o ato de dar mesada sem exigir o cumprimento de tais tarefas, desperte nos filhos a idéia de que não é preciso nenhum esforço para se obter dinheiro.

Esse, porém, não foi o acerto entre o estudante Jailton Cordeiro, 18 anos, e a professora Isamar Pita, 41. Jailton, que recebe em média R$ 60 para ir ao cinema (programa que acha indispensável), comprar livros e CD’s, revela: “Nunca precisei fazer nada em casa para receber dinheiro em troca. Uma coisa nunca teve nada a ver com a outra”. Para ele, o lema mesmo é poupar. Durante quatro meses, Jailton juntou dinheiro suficiente para comprar uma guitarra. “Vou começar a juntar de novo para comprar a pedaleira”, garante.

Marta Hazin considera um erro os pais que ameaçam cortar a renda dos filhos, caso eles descumpram algum dever. “Seria o mesmo que não pagar o salário de um empregado só porque ele fez algo de errado”, completa. Bem administrada e em doses homeopáticas, a mesada é um ótimo exercício para começar a encarar o mundo adulto das contas e números.

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Jornal do Commercio
Recife - 18.08.2000
Sexta-feira