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SIDNEY
O SONHO OLÍMPICO

por CARLYLE PAES BARRETO

Mesmo com menos atletas em relação aos últimos Jogos Olímpicos, o Brasil pode bater o recorde de medalhas de ouro em Sidney. Serão 204 competidores na última Olimpíada do milênio, contra 225 em Atlanta, há quatro anos. Apesar da queda, os brazucas estão confiantes, principalmente porque competem em 24 modalidades, cinco a mais que em 96.

Em pelo menos dez modalidades há chances reais de medalhas de ouro. Em outras seis o Brasil promete brigar com os favoritos. Em Atlanta, quando o País levou a maior delegação de sua história, foram conquistadas 15 medalhas, sendo três de ouro. Foi a melhor apresentação nacional nos 100 anos de jogos da era moderna.

Venceu no vôlei de praia feminino, com Jacqueline e Sandra, além de Robert Sheidt (classe Tornado) e Marcelo Ferreira/Torben Grael (classe Star). No iatismo, os dois barcos irão defender o título na competição que começa em 27 dias.

No vôlei de praia, os brasileiros são francos favoritos. No feminino, a dupla Adriana Behar/Shelda são tricampeãs mundiais e estão bem próximas de faturar o tetra. Irão brigar com as compatriotas Adriana Samuel e Sandra (a última, campeã em Atlanta). No masculino, Emanuel e Loyola – atuais campeões mundiais – são apontados como prováveis vencedores. O maior obstáculo da dupla é a parceria formada por Zé Marco (que foi à última Olimpíada com Emanuel) e Ricardo.

E os esportes tradicionais são as maiores esperanças de se ouvir o hino nacional na terra dos animais exóticos, Austrália. Além do vôlei de praia, o Brasil é favorito no futebol masculino, natação com Gustavo Borges e Xuxa, judô através de Edinanci Silva (meio-pesado), hipismo com Rodrigo Pessoa e tênis com Gustavo Kuerten.

Mesmo levando atletas com menos de 23 anos, abrindo mão de três jogadores mais experientes, o Brasil irá buscar o inédito ouro olímpico no futebol. Ronaldinho Gaúcho e Alex são as maiores esperanças de o futebol canarinho conseguir o único título que falta à galeria da CBF.

Na natação, Gustavo Borges e Fernando Scherer, o Xuxa, irão competir no revezamento 4x100m e nos 100m livres. Xuxa ainda tem grande chance nos 50m livres, num duelo com o russo Alexandre Popov.

No judô, esporte que sempre traz gratas surpresas para o Brasil, a confiança maior está na garra da paraibana Edinanci Silva. Há quatro anos, ela perdeu para a gigante chinesa de mais de 100 quilos, pois competia como peso pesado. Três quilos a menos que em 96, Edinanci lutará entre os meio-pesados, o que aumenta, e muito, a possibilidade de ouro.

Outros atletas que estão dominando suas modalidades são Gustavo Kuerten, melhor tenista da temporada, e Rodrigo Pessoa, único cavaleiro a vencer por três vezes seguidas a Copa do Mundo de Saltos. Os maiores adversários de Guga são os australianos Patrick Rafter e Mark Phillipoussis. Os norte-americanos Andre Agassi e Pete Sampras não estarão em Sidney. Pessoa ainda tem chances na competição por equipes, a qual venceu o Pan-Americano de Winnipeg, ano passado.

CORRENDO POR FORA – O Brasil, que ainda está longe de ser uma potência Olímpica, pode apresentar algumas surpresas. Embora sejam considerados segunda ou até terceira força, alguns esportes podem chegar ao alto do pódio. São eles: futebol feminino, basquete feminino, vôlei masculino e feminino. No futebol e basquete, as brasileiras tentam desbancar as norte-americanas. No vôlei, nas duas categorias, são os cubanos que detêm a hegemonia.

Nos esportes individuais, Edelmar Zanol (judô), Eronildes Araújo e Claudinei Quirino (atletismo, 400m e 100m, respectivamente) e Rogério Romero (natação, 200m costas) estão entre os que podem beliscar medalhas. As chances de Eronildes aumentam com a ausência do campeão e recordista mundial Michael Johnson, que sofreu lesão muscular na seletiva americana e está fora dos Jogos.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.08.2000
Domingo